Japa do Brasil

Entretida com os inagos que a Mari Hirata trouxe do Japão para o Gastro-pop de agosto, voltou-me à cabeça aquela história sobre comida japonesa do Brasil versus a de lá mesmo. Em tempo, inagos são gafanhotos que só comem arroz (e que bem temperadinhos e fritos dão ótimos petiscos), algo que só tem lá e, mesmo assim, em extinção. Uma vez eu li uma entrevista com um pesquisador estudioso da história da imigração japonesa em que ele dizia que nem o shoyo que usamos por aqui é “legítimo”, porque, na falta do trigo, os primeiros nipônicos que chegaram ao Brasil usaram o milho na composição de seu indispensável molho de soja, que ficou um pouco mais doce que o original. E assim ficou até hoje. Diferenças como essa estão por todo o cardápio de um bom restaurante japa do Brasil. Rodízio de sushi, por exemplo, é invenção de paulistano! E ninguém na terra do sol nascente come tantos sushis e sashimis quanto os habitantes da terra da garoa, vai entender…

blog_agosto2

O mais legal disso tudo é ver as comunidades de decasséguis no Japão espalhando por lá iguarias brasileiríssimas, como a coxinha e o pão de queijo. Nesse leva-e-traz de cultura gastronômica, quem ganha somos todos nós. E nada de radicalismos. Para os foodies de plantão, o importante é saber o que está comendo, e não deixar de comer nada, é claro.


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