Trabalho ou lazer, eis a questão

Minha profissão é uma daquelas que, vire e mexe, alguém chega e diz assim: “Ai que difícil, né? Ficar lidando o dia inteiro com essas comidas deliciosas, viajar para um monte de lugares…”. E eu sempre digo que trabalho é sempre trabalho, ou seja, tem seu lado chato, de lidar com um monte de responsabilidades, exigências etc. Mas é claro que vivo uma série de situações prazerosas, afinal de contas cozinhar é proporcionar alimento, sim, mas principalmente prazer a quem come. Pois bem, só que de vez em quando bem que dá vontade de trocar as bolas. Um exemplo disso é em Florianópolis. Na verdade, uns 40 minutos de carro indo pro norte da ilha. É um relais & chateau chamado Ponta dos Ganchos, conhece? Se não, deveria, é deslumbrante. Assim que botei os pés lá tive vontade de largar tudo e ficar o dia inteiro num daqueles bangalôs à beira da praia. Não deu, ainda, mas que pude dar uma voltinha e conhecer mais das redondezas, isso deu.

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O resort fica em Governador Celso Ramos, um vilarejo fundado pelos imigrantes açorianos que chegaram ao Brasil há mais de 200 anos atraídos pela pesca da baleia. As praias de Canto de Ganchos, Ganchos do Meio e Ganchos de Fora têm uma porção de botequinhos interessantes, pra comer com o pé na areia os maravilhosos mariscos e ostras de lá. Num deles comi uma tainha recheada e uma casquinha de siri à milanesa de lamber os beiços. Deu tempo ainda de uma passada rápida pela ilha de Florianópolis, onde comi num lugar chamado Toca da Lontra, na Lagoa da Conceição. Já aviso que é mais fácil chegar lá de barco. Deliciosas caipirinhas e petiscos à base de pirão de camarão, além de uma incrível lula recheada, fazem do lugar uma parada imperdível. Com sorriso de orelha a orelha, saí de lá pensando sobre esse monte de paulistanos que sonha em se mudar para um lugar ermo, como lá, abrir uma pousada ou um restaurante e viver do turismo. Do turismo de quem? Dos próprios paulistanos. Isso que é engraçado, paulistas de lá dependendo dos paulistas de cá… E assim ficamos todos em casa. Mas que Floripa é o máximo, isso é.


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