Viva o turrão!

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Já que o Natal chegou (e o que me obriga a pensar assim é menos o dia do mês do que as árvores enfeitadas, os Papais-Noéis pendurados nas sacadas dos prédios e a infinidade de anjos, velas e presépios em lojinhas efêmeras), a hora é boa para falar sobre um dos doces natalinos mais famosos do mundo: o turrón.

A Espanha é hoje o maior produtor desse tablete feito de mel, açúcar, clara de ovo e amêndoa. Aqui no Brasil nos deparamos com os turrões – é, segundo o Houaiss, é assim mesmo em português - somente quando abrimos as cestas de fim de ano, mas na província de Alicante, em Valência, a coisa é realmente motivo de orgulho o ano inteiro, há quase 500 anos.

Há duas variedades principais de turrón: o duro, de Alicante, feito com amêndoas do tipo Marcona inteiras, e o macio, o de Jijona (outra cidade da mesma província), no qual se utilizam as amêndoas moídas. As duas denominações – ‘de Jijona’ ou ‘de Alicante’ – só podem ser dadas aos turrões fabricados em Jijona.

Doces fabricados com amêndoas e mel eram comuns na Al-Ándalus, território da península ibérica dominado pelos muçulmanos na Idade Média. Por isso acredita-se que a origem do turrón venha justamente daí, dos árabes. Uma das versões é que eles teriam feito um concurso para descobrir um alimento nutritivo, que fosse facilmente transportado pelo exército, sem perigo de intoxicação, e que se conservasse em boas condições mesmo carregado ao longo de grandes distâncias.

O que nasceu como sinônimo de praticidade, no século XVI já era costume em toda a Espanha, pelo menos nos setores mais ricos da sociedade. No livro anônimo ‘Manual de Mujeres’, do século XVI, está a primeira receita do turrón de que se tem regsitro. Hoje, o mais tradicional turrón de Alicante, o 1880 – comercializado desde 1725 – tem como slogan ‘El Turrón más caro del mundo’. O produto mais caro da marca é uma lata de 600g de turrón, por 18,50 euros – o que deixa claro que o doce já não é mais coisa para tão poucos.

Hoje podemos encontrar variações, como os turrões de frutas, côco, chocolate, nozes… Outros países também fabricam turrones: na Itália, são conhecidos como torrone; na Dinamarca, fransk nougat; o Peru tem o Turrón de Doña Pepa; e, nos países árabes e em Israel, a versão é o halva, feito com gergelim moído, mel e frutas ou pistache.

Seja nacional ou importado, com receita original ou variações, aproveite o clima de Natal para apreciar esse clássico da confeitaria mundial.


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