A era do azeite

Circula no mercado de produtos gastronômicos brasileiro uma teoria de que o azeite é o vinho do futuro. Quer dizer: que em breve acontecerá com o óleo de oliva aquela explosão de descobertas que o Brasil viveu com o vinho algum tempo atrás. Em alguns anos, uma grande parte do público consumidor brasileiro saltou de separar vinho prosaicamente entre “seco” e “doce” para começar a se arriscar na seara das diferentes uvas, produtores e denominações de origem.

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O azeite, ao que parece, está vivendo exatamente o momento dessa transição. Basta ir ao supermercado para constatar: até alguns anos atrás, em um supermercado comum a prateleira se limitava àquela meia dúzia de marcas que são parte do nosso dia-a-dia há décadas. Colocar à venda uma garrafa de R$40 ou R$ 50 seria um passo certeiro rumo ao encalhe. Hoje, não. Todo supermercado que se preze tem uma seção de azeites considerável, com cada vez mais marcas e variedades, não apenas dos tradicionais Espanha, Itália e Portugal, mas também de Grécia, Israel, Líbano, e até do “novo mundo”, como australianos e americanos. A produção nacional ainda engatinha, mas a tendência é que tenhamos no curto prazo um bom azeite tupiniquim.

Nos países mediterrâneos, que respondem por 95% da produção mundial, degusta-se azeite tanto quanto se degusta vinho ou queijo. Com um pedacinho de maçã verde para limpar a boca entre um azeite e outro, percebe-se claramente as sutilezas.

Comece a prestar atenção ao escolher um azeite de oliva no mercado. Molhe um pedacinho de pão puro e, então, repare nas peculiaridades de aroma, consistência e acidez. No geral, quanto menor a acidez indicada no rótulo – que em todo azeite extravirgem é inferior a 0,8% -, melhor o azeite. Acontece que cada azeitona tem sua característica e, às vezes, um azeite com acidez máxima 0,7% pode ser mais saboroso, nobre (e caro) do que outro que chegou a 0,2%. Tente também decifrar qual é a cara de cada azeitona: picual, blanqueta, hojiblanca, manzanillo, a catalã arbequina (que é uma delícia como tira-gosto); as gregas kalamata e koroneiki; as joias do Oriente Médio nabali, souri e malissi… As possibilidades são infinitas, assim como o a diferença que um bom azeite pode fazer no seu prato. Experimente!


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