O mundo é dos frugais

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A ONU divulgou recentemente que o número de indivíduos que passam fome no mundo deve ultrapassar, neste ano, pela primeira vez na história, a marca de 1 bilhão. Isso significa quase uma em cada seis pessoas. Segundo a organização, uma das justificativas para um cenário tão alarmante é a crise que aumentou o desemprego e reduziu o poder de compra da população.

Essa crise não afeta apenas essas pessoas pertencentes às camadas mais baixas da pirâmide. As consequências estão sendo sentidas por todos, independente da classe. É óbvio que nada se compara a seres humanos que estão lutando por um prato de comida em busca da sobrevivência. No entanto, não pude deixar de pensar num novo perfil de consumidor que está surgindo e que tem chamado minha atenção. Não tem nada de científico, tampouco comprovado. Mas eu os chamaria de frugais.

Os frugais têm mais criatividade que dinheiro. São mais antenados ao mundo e responsáveis com o meio ambiente e as questões sociais. E, coerentes que são, prezam o bom gosto, mas não se submetem a preços exorbitantes, seja para decorar a casa, se divertir ou comer. Valorizam a simplicidade.

Nas casas desses “frugais”, salta aos olhos a união de funcionalidade, conforto, beleza, economia, humor e eficiência. São pessoas que preferem uma boa festinha caseira, com amigos queridos em volta de uma mesa, num tom mais intimista. E são aquelas que, quando saem pra comer, fazem questão de ser bem atendidos, querem passar por uma experiência incrível e, claro, esperam pratos bem elaborados, com produtos de primeira. Elas querem uma refeição de bom gosto, gourmet, sofisticada sem ser metida, despojada sem ser simplória. E, obviamente, que não pese no estômago. Nem no bolso.

Acredito piamente na tendência gastronômica que tem por finalidade atender a essa demanda. Quem disse que comer bem é sinônimo de gastar muito? A profissionalização do setor de gastronomia, com a abundância de opções, levou os clientes a passarem por um processo de amadurecimento. E, no alto de sua maturidade, o público não prioriza o que é caro, mas o que tem qualidade. Uma separação mais do que saudável para todo mundo e que, em tempos de crise econômica, parece ainda mais coerente.

Digo tudo isso porque fazer alguém se sentir especial (e quem não gosta disso?) sem mandar uma fatura estratosférica não é só possível, mas necessário. Nos restaurantes, nota-se claramente uma tendência nesse sentido, infelizmente ainda mais forte fora do Brasil. E em outros segmentos também. Peguemos, por exemplo, a loja Zara, que consegue integrar o espírito da exclusividade na sua estratégia, sem cobrar horrores por isso. Embora tenha seus produtos feitos em grande escala, a companhia utiliza um sistema de distribuição no qual as peças são divididas por um número infinito de lojas por todo o mundo, limitando o número de artigos em cada país e, atingindo, dessa maneira, uma aura de exclusividade. Acho que esse é o segredo. Colocar a cabeça para funcionar, encontrar soluções inteligentes e cativar um público cada vez mais exigente e consciente. O desafio está lançado.


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