O encanto das virgens

Num território formado por dezenas de ilhas, circular entre as virgens é como mudar de bairro em São Paulo. Só que no lugar dos carros, é claro, usam-se barcos.

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Cada dia da minha estada nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI, British Virgin Islands) cozinhei num lugar diferente – como disse em post anterior, a Necker foi o mais encantador. Os outros seis chefs estrangeiros e eu fizemos coquetéis, almoços e jantares sempre pensando em um diálogo com a culinária e os chefs locais. Produtores de vinhos de Portugal, Alemanha, Itália e Estados Unidos estavam lá, preenchendo lindamente os paladares.

A comilança começou no dia 15, com um coquetel feito por um grupo de 8 chefs locais na ilha Virgin Gorda, num lugar chamado Sugar Mill Ruins. O nome remete à arquitetura inspirada nos engenhos de açúcar do século 19. Foi um panorama de receitas caribenhas, variadas e apimentadas, baseada nos ingredientes locais, entre eles frutas tropicais, peixes e uma carne de cordeiro deliciosa. No dia seguinte, 16, rumamos para a já citada Necker Island, onde comemos um churrasco havaiano para lá de interessante, comando pelo chef Vikram Garg, de Waikiki. Minha moleza acabaria ali. No jantar daquele dia, o quinto de sete cursos seria por minha conta: uma Pot pie de cordeiro e queijo emmenthal. No dia seguinte, almoçamos na ilha Tortola, onde fica a capital das BVI, Road Town. Pra comer, um encontro entre as culinárias italiana e caribenha, encabeçada pelo chef Davide Pugliese, originário da Bota, porém radicado nas BVI. À noite, mão na massa de novo, desta vez com a Moqueca de lagosta com purê de mandioca (que eles chamam de Yuca) e chips de banana, um dos três pratos principais do jantar. Modéstia às favas, eles babaram na minha moqueca. Dia 18, nova ilha, Guana, novo jantar, onde fiz uns aperitivos. Pensam que acabou? Ainda não. Domingão, dia 19, almoço na Fat Virgin e jantar na Mooney Bay Estate, uma pousada de apenas seis lugares e uma praia todinha pra ela, só acessível por barco. Deslumbrante. Para combinar, preparei um refrescante atum com tartare de manga. Ah, as sobremesas de todos os dias ficaram a cargo da chef-pâtissière americana Michele Mitchell, do centenário Hotel du Pont, um dos mais luxuosos dos EUA, situado em Wilmington, Delaware.

Como vocês perceberam, não foi pouco o trabalho para os CCC (leia-se eu, Carol Brandão e Carlos Siffert), mas adorei ter participado do BVI Winemakers Dinners. Se a intenção era promover o lugar como atração turística, pra mim, funcionou. Quero muito voltar e ficar uns dias por lá, de papo pro ar. Conheço várias praias brasileiras maravilhosas, mas mesmo quem já foi a Fernando de Noronha vai se surpreender com a cor daquele mar: um intenso e hipnótico azul turquesa.

E para quem se empolgou e estiver planejando conhecer as virgens, aqui vão duas dicas de restaurantes: WaterMark Restaurant e The Dove. Ambos ficam em Tortola e são ótimos para desfrutar dos produtos locais. Para hospedagem, o melhor custo-benefício você encontra alugando um chalé ou casa no Guavaberry Spring Bay, um conjunto de vilas na ilha Virgin Gorda. Para mais informações desse pequeno paraíso de Sua Majestade Rainha Elizabeth II, visite www.britishvirginislands.com


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