Da cor do pimentão

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Não foi pouco o que os conquistadores europeus levaram da América nos séculos XV e XVI. Ouro, prata, sementes de plantas e conhecimentos da flora e da fauna são só alguns exemplos daquilo com que os missionários espanhóis travaram contato por aqui para depois enriquecerem a cultura da Europa, juntando o melhor dos dois mundos. A culinária espanhola, nesse contexto, recebeu convidados de honra, vindos da América Central e do norte da América do Sul: os pimentões – cultivados pelos frades nas hortas dos monastérios.

A excelente revista de gastronomia SpainGourmeTour trouxe na última edição uma reportagem de 14 páginas com o título ‘Pimiento y sus innumerables caras’, sobre o pimentão produzido e consumido na Espanha. É uma aula completa sobre as variedades, os usos na cozinha tradicional espanhola e – talvez o mais interessante, por ser novidade – a notícia de que as variedades locais receberão os selos IGP (Indicación Geográfica Protegida) e DOP (Denominación de Origen Protegida).

Um dos primeiros a ter o DOP será o Pimiento de Herbón, que, segundo o autor do texto, foi ‘plagiado’ pelo Marrocos e, de lá, exportado para Argentina, Estados Unidos e Grã-Bretanha. Eu me pergunto, então, se não seria direito dos mexicanos, por exemplo, pleitear o selo de origem realmente original. Brincadeiras à parte, gostei de conhecer mais sobre as ‘incontáveis caras’ dessa hortaliça tão abudante na Espanha (e por aqui também).

No velho continente eles usam muito o pimentão seco e moído, chamado de pimentón, e o em conserva, mas, assim como nós, também o comem fresco em inúmeras receitas, desde um simples refogado até recheado com arroz e mariscos.

Os principais pimentões usados na cozinha espanhola são doces: o pimiento de Couto é verde e pequeno, o Riojano, grande e vermelho, o de Arnoia, verde amarelado, o de Oimbra, verde claro, e o de Fresno-Benavente, vermelho e retangular. O único que é 100% picante é o de Gernika, produzido na famosa cidade basca retratada por Picasso. O que está mais na moda, porém, é o de Herbón/Padrón (Galícia). Ele é a roleta-russa dos pimentões: 90% são doces e 10% são picantes. A publicidade ajudou na popularização dos tais pimentões nos bares galegos de Barcelona e Madri. Saber que “unos pican y otros no” é parte da diversão.

Talvez para poder brincar de roleta-russa, um bem-humorado carioca resolveu plantar pimientos de Padrón na varanda do seu apartamento em Ipanema. Olha só o vídeo em que ele mostra o patrimônio espanhol em solo nacional.


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