Suco de uva safra 2009

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As vinícolas do Rio Grande do Sul estão cada vez melhores e mais respeitadas pelos conhecedores, mas esse hábito de levar a uva à mesa vai além do vinho: é coisa tradicionalíssima desde a infância dos guris gaúchos. Inclusive na minha. Os meus deliciosos lanches da tarde vinham quase sempre acompanhados por um bom suco de uva.

O que era um costume da região Sul do país está conquistando cada vez mais adeptos Brasil adentro, e isso é uma ótima notícia. As vinícolas gaúchas estão investindo na produção de suco, porque sabem que o mercado está em crescimento. Li recentemente que a venda de sucos integrais – sem adição de açúcar, corantes ou conservantes – cresceu 40% no último ano. E que, de 2004 pra cá, a comercialização do suco de uva duplicou.

A Casa Valduga, de Bento Gonçalves, que produz vinhos e espumantes desde 1875, desenvolveu uma marca para produtos de gastronomia chamada Casa de Madeira, com sucos, geleias e vinagre balsâmico das uvas do Vale dos Vinhedos. Já a Vinícola Salton investiu 400 mil reais em tanques de conservação e fermentação e pretende vender mais de 1,4 milhão de litros de suco de uva este ano. Contando todo o estado do Rio Grande do Sul, a produção de suco de uva em 2008 foi de mais de 43 milhões de litros.

As apostas são fortes e os apelos nutricionais para o sucesso do suco, maiores ainda. Pesquisas mostram que o suco de uva preta ou rosada pode trazer os mesmos benefícios à saúde que o vinho, por conter poderosos antioxidantes que combatem os radicais livres, aqueles famosos elementos que ninguém sabe bem o que são, apenas que causam doenças e envelhecimento. Além disso, o suco ajuda no combate ao cansaço e à anemia e é bom para a digestão e para o fígado.

No começo deste mês, o governo do Rio Grande do Sul sancionou uma lei que prevê que o suco de uva seja incluído na merenda escolar na rede pública de ensino estadual. Além dos claros benefícios para as crianças, espera-se que a decisão também favoreça a economia gaúcha, gerando empregos e arrecadação.

Uma das minhas sobremesas preferidas no Celeiro, aquele restaurante fantástico no Leblon, no Rio de Janeiro, é a musse de uva. A receita aí embaixo é do livro “Celeiro Culinária”, escrito pela Maria Rosa Lacombe Herz. Outro livro que eu adoro da Rosa, que trabalha maravilhosamente bem ao lado das simpáticas filhas Bia e Lu (co-autora dos livros), é o “Salada – Celeiro”, com 70 receitas que desde 1982 conquistam fãs da culinária naturalmente saborosa e consciente desse point carioca.


Musse de uva
do livro “Celeiro Culinária”
Muito leve, esta musse pode ser servida acompanhada de uma calda de baunilha ou da própria fruta, assim como de sorvetes variados. É fundamental considerar a qualidade do suco de uva, para que a musse fique saborosa. O ideal é preparar um suco da própria uva. Para isso, ferva as uvas com um pouco de água durante 5 minutos. Passe na peneira para obter um sumo denso e rico em sabor.

Ingredientes
1 ½ xícara de suco de uva preta
3 gemas
2 colher (sopa) de maisena
1/3 de xícara de açúcar
½ xícara de creme de leite fresco

Modo de fazer
Ferva o suco de uva até reduzi-lo a uma xícara. Bata levemente as gemas com a maisena e metade do açúcar. Ferva o suco de uva com a outra metade do açúcar, vire a mistura das gemas na panela e bata vigorosamente por alguns minutos. Mexa sem parar, até engrossar. Retire do fogo e vire a mistura numa vasilha sobre o gelo, para impedir que continue cozinhando. Deixe esfriar. Bata o creme até dobrar de volume, de modo que fique firme. Misture o creme de leite delicadamente ao suco reduzido de uva. Sirva gelado em pequenas taças.

Observação
Pode-se substituir o suco de uva por outras polpas de frutas. Atenção à quantidade de açúcar para a musse não ficar muito doce, pois cada fruta varia quanto ao teor de açúcar.

Rendimento
6 porções

Durabilidade
3 dias na geladeira, em recipiente tampado


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