Brigadeiro à Gomes

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Este post é inspirado numa dica que dei lá no Carlota Express, minha coluna lá na Mit FM. Era sobre a Brigadeiro Doceria & Café, especializada no quitute brasileiríssimo que dá nome a ela. Antes de falar do doce em si, quero falar de sua brasilidade.

Pra quem ainda não sabe, quero relembrar aqui a história do brigadeiro (ou negrinho, como carinhosamente nós gaúchos batizamos o doce). Ele ocupa um papel de destaque em qualquer infância que se preze, independente da região ou do nível social (impressionante como é democrático o docinho!). A mão lambuzada de margarina, o cheirinho do chocolate e a lambida na colher de pau, quase queimando a boca, são sensações que só nós brasileiros conhecemos.

A irreverência e o informalismo da nossa cultura estão até no nome do brigadeiro. O docinho de leite e chocolate já era conhecido no sul do país como negrinho, mas foi por causa da candidatura do (bonitão, dizem) brigadeiro Eduardo Gomes à presidência da República, em 1946, que ele ganhou o nome atual. A esposa do militar teve a ideia de fazer o doce para arrecadar fundos durante as festas da campanha. E emplacou: todo mundo queria provar o “docinho do brigadeiro”. Aí bastou o tempo agir para a patente do homem virar o nome do doce.

Há tanta oferta no mercado que é um pecado gastronômico comer aqueles que vêm pronto da indústria, e que alguns gaiatos por aí enrolam e vendem como se fossem artesanais. Mas não precisa de muito treino para percebe a diferença, não é? Nessa loja citada lá no começo, dá pra encomendar brigadeiros incríveis, de vários sabores, veja no site. Estes, sim, são daqueles bem caseiros, tradicionais, gordinhos e suculentos. Quase que voluptuosos! Além da receita original, a Bia também incrementa o brigadeiro com pistache, morango ou chocolate branco.

A Juliana Motter é outra chef de mão-cheia que cria brigadeiros bem diferentes e superfinos – e entrega em embalagens bacanérrimas – no Ateliê Maria Brigadeiro. Nesse vídeo aqui, ela explica a motivação para fazer mais de quarenta versões gourmet do docinho e mostra alguns deles, como o de especiarias e o de wasabi.

De tanto escrever sobre eles, além de água na boca, me deu vontade de meter a minha colher de pau. Acho que vou preparar uma edição limitada (só pra tirar o desejo) dessa receita aqui, que está no meu livro “As Doceiras”:


Negrinho melado
(para 10 porções)

1 lata de leite condensado
1 colher (sopa) de manteiga
2 colheres (sopa) de melado de cana, que você encontra no supermercado
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 pitada de sal
200g de chocolate granulado
manteiga para untar
ouro em pó para decorar (opcional)

Numa panela, misture todos os ingredientes e leve ao fogo médio, mexendo sem parar com uma colher de pau, até desgrudar completamente do fundo da panela. Passe para uma tigela untada e deixe esfriar. Com as mãos untadas, faça bolinhas do tamanho que quiser e passe no granulado. Decore os docinhos com ouro em pó e distribua em forminhas de papel laminado.


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