E vamos às compotas

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Vidros de conserva expostos em prateleiras de madeira maciça talvez seja uma imagem equivalente hoje na gastronomia à onda retrô que surge de tempos em tempos na moda ou na música, por exemplo. Nas grandes cidades, fazer em casa sua própria fornada de pão integral, plantar ervas aromáticas no cantinho da sacada ou preparar o próprio molho de tomate são tentativas excepcionais de uns poucos saudositas de voltar aos tempos em que a ida à cozinha não se resumia a um abrir de geladeira e dois bips do microondas.

Gostei muito da matéria do New York Times, publicada na Folha de S. Paulo (link só para assinantes). Ela fala que o estouro da bolha financeira despertou nas pessoas um desejo por um mundo simples e estável, em detrimento de uma sociedade que baseou seu crescimento em um dinheiro irreal.

É verdade que os hipermercados e a invasão de produtos chineses mudaram nossa visão de consumo. Preços baixos, produtos congelados e disponíveis o ano todo, a falta de tempo e a praticidade nos deixaram mais longe da aura da autenticidade na cozinha.

Mas afinal o que é autêntico? Tenho dúvidas se criar galinhas no quintal ou resistir às novas tecnologias sejam meios de se alcançar o real ou o roots (de raiz). Sugiro que pensemos mais a respeito fazendo umas compotas gostosas, com frutas da estação, como vovó já fazia.

Nesse vídeo, o Ricardo Cobra ensina a esterilizar os vidros das compotas. Acho que é um bom exercício para quem quer começar a se arriscar na gastro vintage.


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