Maktub

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Imagine só você chegar em Budapeste e ver na mesa de uma família tradicional húngara arroz carreteiro, feijoada, açaí, vatapá… Assustador, não? Pois é assim que um egípcio ou turco se sente ao conversar com uma brasileira como eu, acostumada a ter frequentemente no almoço ou jantar um prato da cozinha árabe. Quibe, esfiha, homus, babaganoush, tabule, quibe cru, falafel, kafta, beirute, coalhada seca, charutinho de folha de uva, abobrinha recheada e arroz com lentilhas são pratos tão familiares para nós quanto para um árabe.

Claro que a estranheza desapareceria quando explicássemos ao estrangeiro a influência de um povo do Mediterrâneo Oriental que, no século XIX, imigrou da Síria e do Líbano para reconstruir suas vidas em terras brasileiras. O recém-lançado e excelente livro “Árabes no Brasil: história e sabor”, do historiador Ricardo Maranhão, é um saboroso passeio pelo legado que eles deixaram no país.

Além de contar fatos históricos ilustrados com fotos antigas, o livro conta detalhes da culinária árabe no país, desde o fast-food até a alta gastronomia, e reúne receitas de doces e salgados assinadas por dez chefs de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. A Myrian Abicair, do Spa Sete Voltas, em Itatiba, por exemplo, ensina a fazer o quibe de legumes sem farinha e o charuto de carne moída e arroz. Outra preciosidade do livro é a receita de fatti de cordeiro, do chef Samir Cauerk Moysés, dono do Folha de Uva, em São Paulo.

Este é mais um livro que entra com honras para a minha biblioteca. Útil, informativo e lindo!


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