De repente, Califórnia

california

Fazendo link com as minhas mais recentes experiências culinárias na terra do Obama, passo a palavra para a minha amiga e chef Gabriela Guedes, que mora na charmosa Carmel, pertinho de São Francisco, na Califórnia, e vive atrás de ingredientes e lugares diferentes. Líder do movimento slow food na região e dona do bistrô Gabriela’s Feast (homenagem ao filme A Festa de Babette), onde recebe só convidados, ela ficou de me enviar uma listinha (que virou listona) das coisas novas, fáceis e divertidas que ela compra, principalmente no Whole Foods, um supermercado especializado em produtos naturais e orgânicos de excelente qualidade. Olhem só o que essa professora de cozinha, que dá até aula de etiqueta, me passou:

Peppadew - uma pimenta em conserva sul-africana que eles vendem por quilo na parte de queijos do Whole Foods. É uma delícia como aperitivo e dá para inventar trocentas coisas com ela ou comer pura. É bem docinha e bem pouco picante.

Il boschetto ai tartufo – o queijo com trufas que eu gosto de servir com um fio do mel de trufas brancas Lulu. É maravilhoso!

Raincoat crisps – torradas excelentes. As duas melhores são as de figo e azeitona (essa é a que eu mais gosto), e a de alecrim, uva passa e nozes pecan. Servida com um queijo Fourme d’ambert e uma salada de agrião, é um almoço dos deuses.

Falando nisso, vale a pena experimentar o agrião hidropônico que eles têm aqui. Completamente diferente do nosso. Muito gostoso.

Red pepper jelly da Stonewall Kitchen – Com uma bandeja de queijinhos, pimentas e essa geleia, a vida fica linda. Mas, se estiver audaciosa, faça uns belos camarões, passados numa milanesa com coco ralado, frite e sirva com essa geleia. Prometo que é de comer rezando.

Kumamoto oysters, aqui da Hog Island, em San Francisco. São as melhores ostras: docinhas, pequenininhas, supercrocantes, como manda o figurino. Ficam maravilhosas só com um toque de limão siciliano e uns flocos de cypress flaky salt (eu acho o gosto bem mais puro e crocante do que flor do sal).

Se você gosta de dry martinis, experimenta fazer um com um gin que se chama Juniper (se não achar, o da Beefeater também é excelente) e uma azeitona recheada com blue cheese (também da seção de queijos do Whole Foods).

Está na época dos caranguejos (tem king crab, snow crab e especialmente dungeness crab. Nem preciso te recomendar, mas com um molhinho de manteiga – de preferência a irlandesa Kerrygold (também no Whole Foods) – ciboulette e vodca, é só correr para o abraço.

Molho de tomate – o único que presta é o do Rao’s. Molho de tomate aqui nos Estados Unidos é de chorar (se bem que molho pronto em qualquer lugar não é exatamente um manjar, mas aqui é de morte…)

Um iogurte feito com leite integral di-vi-no é o da Traders Point Creamery, que vem em garrafa de vidro. De manhã, com um fio de mel de trufas e algumas nozes, é garantia de energia para o dia todo. Campeão de audiência!

Dentro dos leites integrais, a ricota artesanal da Calabro também é excelente.

E, por último, gosto muito de umas “tortas” espanholas (spanish sweet olive oil tortas), que são uns biscoitos bem finos, açucarados, feitos com azeite. É como um snack doce.

Quis muito fazer essa lista porque me lembro da minha chegada aqui, passeando pelo supermercado, mais perdida que a Sarah Palin em uma biblioteca. Claro que é uma delícia descobrir sozinha, mas eu sempre pensava: seria tão bom se alguma outra chef me dissesse alguns segredinhos, ao invés de eu ter que experimentar tudo isso aqui para ver o que é bom e o que nao é…

Gaby, querida, essa lista vai fazer a minha alegria na minha estadia por aí e tenho certeza que despertou a curiosidade de muita gente que lê este blog. Se depender de nós, vai haver fila preferencial para brasileiros no Whole Foods. Obrigada!


Posts Relacionados

  • Redação de férias… from NY!Redação de férias… from NY! As férias de inverno estão chegando e muitos pais ficam sem saber o que fazer com os filhos nesse tempo livre. Vale a pena tirar […]
  • Para ler ouvindo London CallingPara ler ouvindo London Calling Quando eu fiz catorze anos meu pai não me mandou pra Disney, mas para Londres. Ao invés da parada com princesas em carros alegóricos, […]