“A conserva é ansiedade em estado puro”

Pintura por Jean-Baptiste Debret

Já havia citado por aqui minha admiração pelo trabalho do historiador italiano Massimo Montanari e à época apenas indiquei despretensiosamente o livro “Comida como Cultura”, lançado pela Editora SENAC.

Dá para você dar uma boa folheada digital nele pelo Google Books e ler como são coerentes e até mesmo óbvios (mas não simplórios) os argumentos de Montanari para a afirmação/tese de que a comida é cultura quando produzida, quando preparada e quando consumida. O pesquisador embasa cada parágrafo com dados históricos e vai alinhavando a evolução cultural da sociedade com as mudanças da nossa relação com os alimentos, desde a forma de selecionar, cozinhar e conservar, até como os denominamos e o modo como os colocamos à mesa.

A frase do titulo deste post, de Girolamo Sineri, é um exemplo das pérolas do livro, cheio de citações e passagens inebriantes que, para quem trabalha com alimentação como eu, são de ficar olhando para o teto e pensando que, por trás de cada mínimo ato há milhões de anos de desenvolvimento humano até que as coisas chegassem a ser daquele jeito.

Elucubrar sobre como o gosto e o prazer pela comida são um produto cultural – e não somente uma característica individual – e imaginar que tudo ainda está em processo valem com certeza a leitura deste livro que já entrou na lista dos meus preferidos.


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