Tegui: “a” novidade na mesa de BsAs


Dias atrás postei por aqui o guia da minha Buenos Aires – um listão de restaurantes, bares e vinhos que andaram arrancando suspiros nas minhas últimas visitas à Argentina. Só que têm duas opções daquela lista que acho que valem eu me aprofundar um pouco. Duas opções completamente diferentes entre si, mas igualmente imperdíveis: o El Pobre Luis (Arribeños, 2393) e as casas do Germán Martitegui – Olsen, Casa Cruz e principalmente a mais nova, Tegui.

Todo mundo sabe da obrigatoriedade de se comer carne quando se vai a Buenos Aires e de como é difícil escolher o melhor lugar. Porque, essencialmente, com algumas pouquíssimas exceções que você só cruza se tiver realmente muito azar, qualquer portinhola sob uma placa “parrilla” vai oferecer um bife de chorizo para ninguém botar defeito.

Fica difícil, então, escolher uma casa para apontar e dizer: “é essa”. Difícil, mas não impossível. Entre as dezenas de oportunidades que você vai ter em Buenos Aires para comer mollejas, chorizos, morcillas, asados de tira e outras delícias mais, separe uma para conhecer o El Pobre Luis, do Luis Acuña. Não é só a qualidade da carne em si, mas a capacidade de fazer a diferença, mesmo tendo crescido e ganhado em popularidade. Quem trabalha neste ramo sabe como é complicado atender mais gente, sob mais pressão, e continuar fiel à intenção original – que, no caso do El Pobre Luis, é de ser um parrilla de bairro que oferece carne de primeira e ponto.

Só que o turismo gastronômico de Buenos Aires há tempos já não se limita às parrillas. Sobretudo nestes tempos em que o câmbio tem nos favorecido, a Argentina se tornou um paraíso para quem quer se esbaldar num tipo de restaurante (e de preço) que nem sempre é muito fácil freqüentar com assiduidade no Brasil.

A cena da “cozinha de autor” – que é como os argentinos gostam de chamar os restaurantes modernos e criativos, que leva a cara de seu chef – em Buenos Aires tem um nome que se separa dos demais. Germán Martitegui é um sinônimo da alta gastronomia portenha e quase uma celebridade na cidade.

Suas duas casa, Casa Cruz (Uriarte, 1658) e Olsen (Gorriti, 5870), sempre frequentaram a lista dos mais-mais desde que abriram. O primeiro é o darling do pessoal endinheirado e bacanudo de Buenos Aires e tem uma das agendas mais apertadas entre todos os restaurantes da cidade. Ambiente escurinho, modernoso, mas chique. Já o Olsen é um pouco mais relaxado e segue uma curiosa inspiração escandinava – o que significa uma mesa repleta de salmões, arenques e caviares de babar.

Pois agora Martitegui abriu sua terceira casa na cidade, em Palermo, e é nela que tem pilotado a cozinha. O Tegui (Costa Rica, 5852) é um lugar de primeiríssima, onde experimentei algumas delícias como salada de bresaola de búfalo, figos frescos, microrrúcula,queijo pecorino e amêndoas ou melão fresco, queijo de cabra, jamón crocante e vinagre balsâmico. Comi ainda ravióli de lagostim, lomo argentino com farofa e papas al carbón e um indecente cremoso de chocolate com bolacha de sal e espuma de baunilha.

Todas opções elaboradas e bem pouco prosaicas – justamente o contrário dos nacões de carne do El Pobre Luis. Mas a verdade é que, na mesa como em tantas outras coisas, Buenos Aires é isso aí: tem de tudo, e tudo bom. ¡Dale!


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