É feijão pra mais de metro…

feijoes
Não existe coisa melhor, para quem escreve um blog, do que suscitar o tipo de reação que um post recente, sobre a feijoada, despertou no pessoal que visita este meu espaço. Pode ser para concordar ou discordar, elogiar ou contestar: o bacana é constatar que tem tanta gente pensante, inteligente, ligada naquilo que eu escrevo por aqui.

Ao longo da troca de ideias sobre a origem e os pormenores da feijoada, teve gente que apareceu com comentários interessantes sobre algumas variantes do prato, como o leitor “jose rasia”, que conta que “no norte de Minas, a feijoada é com feijão mulatinho e leva verduras”. Ou ainda o “José Roberto Yasoshima”, que relata algo parecido: “Talvez pudesse ser o prato emblemático da gastronomia brasileira se não fossem as receitas regionais e locais. A feijoada sergipana (um dos pratos preferidos de Washington Olivetto) não é feita com feijão preto e leva couve, abóbora e outros legumes na sua composição.”

Isso é algo sensacional, que não sei quanto pode acontecer em outros lugares do mundo. Porque, no Brasil, não faz sentido falar simplesmente em “feijão”. Aliás, é até difícil catalogar e saber exatamente quão longe podemos ir em suas diferentes variedades. Não só são dezenas de tipos diferentes, mas cada um deles tem um punhado de nomes distintos, segundo a região. E isso para não falar sobre como são usados!

Por exemplo, o feijão-de-corda, ou feijão-macassar, ou feijão-fradinho (que, aliás, tem um nome que é pura poesia. Porque quero crer que a razão do apelido é que o miolinho escuro fica parecendo uma coroinha na cabeça branquinha de um frade. Só pode ser. Se não for, deveria). Estamos falando de gosto, textura… de um conceito completamente diferente do feijão ensopado.

O mesmo vale para o feijão-roxinho, aquele mais gordinho e encorpado, que normalmente só se encontra na feira e que fica uma delícia na sopa. Ou ainda o feijão branco, com seu recheio mais pastoso, sensível, como se desmanchasse mais que os colegas escurinhos. E, como eu falei, se formos realmente nos dedicar a fazer uma compilação de tipos, usos e nomes, podemos seguir em frente para sempre: azuki, rajadinho, jalo, rosinha, canário…

Será que mais alguém tem histórias, sugestões ou indicações desse nosso universo de feijões? Porque viramos, mexemos e chegamos de volta ao tema da identidade brasileira: de ter tantas variáveis e explicações para tudo; de que nada poder ser considerado tão claro e certo assim, tantas são as misturas que resultaram nesse produto final lindo e complexo que é a nossa culinária.


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