O doce patrimômio de Pernambuco

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Ser considerado patrimônio de um lugar é, sem dúvida, algo louvável. Sendo o objeto em questão uma sobremesa, aí a coisa fica ainda mais interessante. Uma amiga voltou recentemente de Recife com uma caixinha contendo um tradicionalíssimo bolo de rolo de goiabada. A frase “leve Pernambuco para o mundo”, escrita na embalagem, mostra bem a força de identidade regional que esse doce tem. Para ser ter uma ideia do que ele representa, a Assembleia Legislativa do Pernambuco sancionou em 2007 uma lei que reconhece o bolo de rolo como patrimônio cultural e imaterial do estado.

E a história se repete: assim como acontece com várias receitas típicas brasileiras, parece ser que o bolo nasceu como uma adaptação das mulheres portuguesas aos ingredientes locais. No caso, o colchão de noiva lusitano, com recheio de amêndoa, foi se modificando até passar a ser um bolo com camadas bem finas de massa feita com farinha de trigo, ovos, manteiga e açúcar e recheio de goiaba. Para não ficar parada nos tempos coloniais, a Casa dos Frios, porta-voz ufanista do bolo de rolo (que eles fizeram até o Papa João Paulo II experimentar, em 1980), fabrica agora novos sabores, como doce de leite, maracujá e chocolate, e aposta no potencial “tipo exportação”. Eu não duvido que logo mais vejamos o bolo de rolo fazendo sucesso em algum cardápio fusionpor aí.

E outro doce que não pode faltar na mesa dos pernambucanos, principalmente em casamentos, é o bolo de noiva, feito com frutas cristalizadas e vinho do Porto. Faz lembrar o quê? Isso mesmo: ele é uma variante do bolo inglês (são sempre eles, os europeus confeiteiros, os culpados). O bolo é escuro, por causa da uva-passa, da ameixa, do vinho… Algumas doceiras ainda decoram o quitute com um glacê branquinho. Delicioso e bem molhadinho. Será que os legisladores pernambucanos não vão incluir o bolo de noiva na lista de patrimônios? Agora me responde: qual doce você acha que mereceria essa honra no seu estado?


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