Acompanhamento, que nada

arroz
Confesso que paro poucas vezes para pensar no sushi. Talvez pelo fato de ser algo, em sua essência, tão diferente daquilo a que estamos acostumados a comer no Ocidente, mas, ao mesmo tempo, que se espalhou tanto a ponto de nos parecer tão corriqueiro e natural.

Dito isso, foi com uma baita surpresa – como quem descobre algo que está pregado na própria testa a vida toda – que li uma frase específica dessa matéria do New York Times. “O negócio do sushi é o arroz. Como outros pratos de toda parte – risotto, paella, arroz con pollo, biryani – é uma maneira de pegar um ingrediente comum e relativamente barato e lhe dar mais personalidade ao acrescentar algo mais interessante.”

O ingrediente, claro, o arroz. Não o peixe. Nunca tinha imaginado o sushi assim; jamais seria capaz de colocá-lo na mesma frase que uma paella. E provavelmente porque o prato chegou até nós puxado não tanto pela sua essência – arroz com alguma coisa –, mas só por aquilo que tem de teoricamente exótico: o peixe cru.

Imagino (e até entendo) que muita gente torça o nariz diante da ideia desse texto do NYT, sobre preparar sushi em casa, mas sem o peixe – e com adereços como presunto cru, ovo mexido, azeitona ou anchovas. A impressão que dá é de blasfêmia, desrespeito a uma tradição. Mas, pensando pelo lado de que sushi autêntico é aquele em que o importante mesmo é o arroz, acho que a sugestão faz mais sentido do que parece.

Dê uma olhada e, se você se interessar, siga esse slideshow com o passo a passo do preparo do seu sushi-sem-peixe. Vai dizer que sentiu falta de algum salmão nas fotos?


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