Faláfel em tempos de paz

As vuvuzelas podem ser irritantes, mas ouvindo o som que vem das ruas em época de Copa do Mundo é impossível não pensar que o futebol, de uma forma ou de outra, une povos tão díspares e muitas vezes em guerra. Há inúmeros exemplos de breves momentos de paz quando a bola rola no campo. O filme “Promises”, indicado ao Oscar de melhor documentário em 2002, mostra uma trégua no conflito entre árabes e judeus quando crianças dos dois lados (que são ensinadas a se odiarem – ou, no mínimo, a se temerem) falam de seus jogadores favoritos, durante a Copa de 1998, com a mesma idolatria. Ronaldinho, Zidane etc. são sim para eles um ponto de alegria em comum!

Me lembrei desse filme quando fiquei sabendo da abertura do Falafa Bar & Deli, em São Paulo. Mas qual a ligação, você deve estar se perguntando? Eis que a estrela da casa é o faláfel, aquele bolinho frito de grão-de-bico, favas e especiarias, presente tanto nas mesas árabes quanto nas judaicas. Em Israel, ele tem o status de “prato nacional”. Mas os sírios, palestinos e libaneses não deixam por menos e também reivindicam sua propriedade. O fato é que hoje o faláfel ganhou o mundo e, assim como acontece no Oriente Médio, é consumido nas ruas das grandes metrópoles como fast food. Há anos, o McDonald’s criou seu McFalafel para atender aos fãs egípcios. Em Nova York e Paris, por exemplo, há cadeias especializadas em sanduíches de faláfel.

E foi em andanças mundo afora que Amnon Armoni e Rocco Bidlovski revisitaram a poderosa cultura do faláfel. Digo re-visitaram porque para ambos, de origem judaica, o quitute remetia à infância. E assim, como aconteceu com os que apostaram no kebab, decidiram mostrar aos gourmets paulistanos as várias faces do petisco.  No Falafa, o bolinho pode ser pedido em porções, acompanhadas de molho tahine e homus de diferentes sabores, como manjericão, beterraba e azeitona, ou em sanduíches, servidos com o pão pita da casa.

A chef-consultora Ana Soares foi chamada para bolar as receitas. O recheado com faláfel, alface, tomate, pepino, ervas, hortelã e tahine leva o nome da casa, mas o toque globalizado, que não poderia faltar, claro, aparece nos sandubas Roma (faláfel, tomate confitado, mozzarela de búfala, tapenade, rúcula, manjericão, tahine), Paris (faláfel, alface frisada, chèvre, pera, champignons, tahine “mostarda e mel”), Guaca (faláfel, alface romana, guacamole, tomate, cebola, pimenta fresca, feta), Tokyo (faláfel, shitake ao shoyo, moyashi, cebolinha verde, tahine-wasabi) e Soho (faláfel, coleslaw com maçã verde, pepino em conserva, coalhada temperada).

Então é isso. Não costumo dar dicas de lugares que abrem em São Paulo por aqui (até porque isso tomaria todo o blog!), mas essa do faláfel eu não resisti. O Falafa Bar & Deli fica na rua Padre João Manuel, 730, nos Jardins.


Posts Relacionados

  • Um mundo de gente que resisteUm mundo de gente que resiste Fiquei com esta frase na cabeça depois de assistir ao documentário "Ainda há pastores" (2006), do português Jorge Pelicano. Tive o […]
  • Take 8, cake 50… gravando!Take 8, cake 50… gravando! Personal stylist, hair stylist, fashion stylist, food stylist e... movie's food stylist. A profissional da moda nesse quesito tão […]