Sobre leite e orangotangos


Neste final de ano, os votos de saúde, paz e prosperidade começam a pulular em cartões virtuais, nas decorações das ruas da cidade e até em SMS de companhia de celular (podia passar sem essa!). Não que não seja uma boa época para esses desejos, afinal muitas promessas realmente ganham vida guiadas pelo calendário gregoriano, que fixa como 1 de janeiro o primeiro dia do novo ano.

Por isso minha colaboração aqui no blog para essa enxurrada de mensagens vai ser mais reflexiva: entre as muitas coisas que recorto e guardo de jornais e revistas que caem na minha mão, olhei hoje para uma página da Folha de S.Paulo do dia 5 de dezembro. Lado a lado, três textos que me fizeram pensar em que estágio a Humanidade está.

A primeira notícia que li era sobre o plástico biodegradável feito a partir de leite (mais precisamente, de sua proteína, chamada caseína) e de argila. “A substância obtida é forte o suficiente para uso comercial e é biodegradável (…) Se aceito na indústria, o aerogel de argila com proteína de leite pode substituir, sem prejuízos, o poliestireno – material derivado do petróleo, muito usado no Brasil para produção do poluente isopor. E também pode tomar lugar do poliuretano rígido, que é matéria-prima para a fabricação de, por exemplo, cadeiras e mesas de plástico”, dizia o texto. Incrível não?

Logo acima, Marcelo Gleiser escreveu um artigo lindo dando voz ao Universo. No discurso, ele fala de que se sentiu sozinho na maior parte de seus 13,7 bilhões de anos e de seu xodó pelos humanos. “Encontro (neles) aquela mágica que faz toda a diferença, uma apreciação por coisas que vão além do mero sobreviver. Inventaram conceitos como dignidade, respeito e amor, que considero muito criativos”.

E para completar a trilogia, a foto que foi publicada na mesma página.

Cedo outra vez a palavra ao Universo para desejar Boas Festas aos meus queridos leitores: “Quanto mais estudarem os meus mistérios, mais surpresas encontrarão. Espero que os outros brutos que existem em meu domínio, que passam sua existência lutando e se matando por razões patéticas, aprendam essa lição e comecem a se dedicar à busca pelo conhecimento.

Sei que fui parcial quando deixei a Terra se formar 4,6 bilhões de anos atrás. É mesmo um mundo especial. Estranho que os humanos estejam demorando tanto para entender isso. Especialmente agora, que podem estudar outros mundos. Espero que acordem logo.

Nesse meio tempo, continuarei a criar e destruir mundos. Assim, me divirto e inspiro os humanos a aprenderem mais sobre mim. Afinal, preciso ser franco. Até mesmo eu sou uma invenção das suas mentes”.


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