SMS: “quero meu garçom de volta!”


Já tive tantas boas experiências com mâitres e garçons em restaurantes que frequento que o lançamento do Text My Food nos Estados Unidos me parece, a princípio, mais uma tecnologia que restringe o importantíssimo contato pessoal, como já comentei por aqui.

O serviço oferece aos clientes a possibilidade de pedir drinques, pratos e a conta enviando uma mensagem de seus telefones celulares. No site da empresa, eles dão alguns exemplos de como o serviço “facilitaria” sua vida. Imagine a cena: você está sentado em seu restaurante favorito, o garçom serve seu pedido e, no instante seguinte, você descobre que o acompanhamento veio errado, que a carne não está no ponto ou simplesmente deixa cair um garfo no chão. O garçom está longe. O que você faz? Acena para o mâitre, chama outro garçom? Não, manda um SMS descrevendo o que aconteceu. Em segundos, seu desejo será atendido. Outra situação: o restaurante está lotado, você precisa sair logo e quer pedir a conta, mas não avista nenhum garçom por perto. SMS: “a conta, por favor”. Um dispositivo na cozinha ou no caixa recebe as mensagens e agiliza o pedido.

Prático, fácil, útil? Tenho minhas dúvidas. Quanto do nosso stress e ansiedade não estão associados a essa pressa por respostas instantâneas? Neste post, o crítico Charles Ferruzza traz questões interessantes sobre o tema. Os garçons, nesse contexto, estariam virando apenas robôs, guiados pelos desejos de seus controladores/clientes? Para os donos de restaurantes, o serviço seria uma maneira de testar e garantir a qualidade do atendimento? O Text My Food ainda é uma novidade, por isso a sua utilidade carece de comprovação empírica, mas de qualquer maneira o princípio no qual ele é baseado não me comove.

Acredito que um bom serviço é bem mais do que um serviço correto e sem erros. A habilidade e a sensibilidade na hora de descrever um prato ou indicar um vinho, e a identificação com o cliente, que só o contato olho no olho permite, deveriam ser os atributos mais enaltecidos em um atendente, que é o elo fundamental entre o cliente e a cozinha. A proposta do Text My Food, por outro lado, alimenta o nosso desejo quase incontrolável por agilidade e precisão. Será que realmente precisamos disso quando estamos desfrutando de algo tão prazeroso e emocional como a gastronomia?


Posts Relacionados

  • Carême > Escoffier > Myhrvold?Carême > Escoffier > Myhrvold? É bom os professores de Química e Física começarem a prestar atenção no que os estudantes estão fazendo nas aulas de laboratório, em […]
  • Nova York, eu te amo!Nova York, eu te amo! Eu amo Nova York. E quem acompanha esse blog sabe disso... tenho até uma área dedicada apenas aos posts relacionados à cidade.  Mas foi […]