Domesticando o expresso

Até bem pouco tempo, tomar um bom expresso era quase um luxo aqui no Brasil. Hoje, é possível encontrar, pelo menos nas capitais, bastantes opções de cafeterias que utilizam corretamente as máquinas profissionais. E entre as classes mais altas, o outrora privilégio do expresso nosso de cada dia vem ganhando espaço também domesticamente, nas cozinhas de muitas casas.

O preço das cafeteiras de expresso varia muito: é possível achar algumas de valores mais acessíveis (R$ 300) até máquinas com tecnologia e design de primeira, que custam cerca de mil reais ou mais, como as da marca Nespresso, que possui algumas lojas-boutiques pelo país.

Vejo que muita gente, por causa da diferença de preço, acaba trazendo as cafeteiras dos Estados Unidos ou da Europa. Acho ótimo. Vale a pena carregar um pesinho a mais na bagagem de mão para ter esse luxo em casa! Neste vídeo uma barista mostra como tirar um excelente expresso, em que a qualidade dos grãos, a pressão, a temperatura da água e o tempo de infusão são fundamentais. Esses grãos em questão são do Octavio Café, já elogiado por mim aqui antes, mas aproveito a chance para citar o ótimo Astro também, marca que me acompanha em meus restaurantes há 15 anos.

Um texto do NYTimes que li há alguns dias faz um contraponto interessante à praticidade das máquinas. Ele fala sobre uma técnica japonesa de extração do café, bem diferente dos clássicos estilos italiano, francês ou turco. Veja só se não é o nosso básico e simples café de coador incrementado com a tradicional paciência oriental?

E falando em métodos, já experimentai vários e acho que todos eles têm seu charme. O café turco, por exemplo, tem um creme espesso e seu sabor é forte e intenso. Ele é bem popular em uma parte enorme do mundo (Oriente Médio, norte da África, leste europeu e Ásia). Para prepará-lo é necessário que o café tenha uma moagem bem fina. O pó é colocado diretamente na água fria para uma rápida infusão, dentro da ibrik (nome da panelinha onde se faz o café). Depois de o café levantar fervura três vezes, o fogo é desligado e, em um minuto, a borra baixa para o fundo e a bebida está pronta para ser servida. Normalmente ele já é feito com açúcar, mas pode também levar especiarias, como semente de cardamomo, e leite.

A prensa francesa é outro modo que dá um sabor muito intenso ao café. A moagem dos grãos deve ser média ou grossa. A água quente e o pó são colocados misturados em um recipiente de vidro. Depois de alguns minutos, pressiona-se o êmbolo para que a prensa separe o pó (que fica depositado no fundo) do líquido. Já a cafeteira italiana (moka) é divida em três partes. Na base, coloca-se a água fria e no funil com peneira, o pó. Depois de fechada, a cafeteira (de aço inox, normalmente) vai para o fogo baixo. À medida em que a água ferve, passa pelo café (de baixo pra cima) e o líquido vai aparecendo lentamente na parte superior da cafeteira. Hummm… Hora de parar de escrever… Adivinha por quê? Está sentindo o cheirinho?


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