Starry, starry night


596 euros, com taxas, para duas pessoas. Começando pelo fim, esse foi o preço da minha experiência no L’Arpège, em Paris, restaurante duas estrelas Michelin do chef Alain Passard. Valeu? E muito!! O quanto cada um que está me lendo pagaria pelo jantar, eu não sei. Quando se trata de dinheiro, tudo é relativo. Na minha opinião, o que presenciei foi uma aula de restauração, principalmente em comida e serviço. Só o ambiente não faz meu estilo…

O simpático Alain foi um dos primeiros chefs estrelados a se dedicar aos vegetais, sem ser vegetariano. Há no menu carnes como o cordeiro, especial da Normandia, que se alimenta do pasto da terra salinizada da região litorânea. Também há aves e peixes muito bem escolhidos. Mas onde Alain brilha é mesmo no tratamento que dá aos vegetais. Em seu L’Arpège, eles são os protagonistas e a proteína animal, coadjuvante. Simplesmente nunca comi legumes como aqueles. Ele usa ainda muitas ervas e frutas em suas criações. Todos esses ingredientes têm procedência de uma propriedade própria, daí a razão de serem tão perfeitos.

Da orgia que provei, os raviólis em consomê de ervas eram delicadíssimos (transparentes!). A entrada de cebola doce com limão siciliano absolutamente surpreendente… o turbot com legumes, nem se fala. Frango de Bresse, espetacular… morangos silvestres com coulis de beterraba e mel de acácia, torta de maçãs e caramelo, especial do chef… para fechar, uma seleção de queijos matadora (dá uma olhada na foto).


Em primeiro plano, 1º à esq., chèvre affiné au marc de Bourgogne; ao lado dele, Buche du gers; o 3º é Persillé de la Tarentaise; menorzinho, à dir., Picodon; ao fundo, à esq., Salers; à dir., Comté Millésimé 2008.


Tão impressionante quanto a comida é o serviço: um balé, de timing preciso e discrição máxima. Tudo acontece à sua volta, o tempo todo, e você simplesmente não nota. Mais uma vez, nunca vi nada igual. Aliás, restaurante desse nível, infelizmente, temos raras espécimes por aqui…


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