Delivery do inferno

Habilidade no manejo das facas ele não tem. Talento musical, também não (na minha humilde opinião), mas, apesar disso, o Vegan Black Metal Chef tornou-se mais uma celebridade rapidamente projetada pelo YouTube. E o motivo não podia ser mais curioso: o norte-americano Brian Manowitz, de 31 anos, uniu veganismo e black metal e chamou a atenção com um vídeo em que dá a receita de um pad thai em meio a um cenário macabro, com direito a fogão preto instalado em uma espécie de altar de sacrifício, e interpretação à la Kiss. Olhem só o hit, que já foi visto mais de 1 milhão de vezes:

Se a moda pega, já imagino alguns chefs por aí querendo passar a lista de ingredientes com voz de tenor, com jeitão de Luciano Pavarotti, ou, pra dar um toque abrasileirado, receita de acarajé ao ritmo de “Acelera Aê”, de Ivete Sangalo, ou uma salada de frutas tirada da cabeça de uma cover da Carmem Miranda.

Mas o Vegan Black Metal Chef não corta tofu com uma faca que poderia ter saído das mãos de um personagem do Kill Bill e nem monta símbolos satânicos com a comida à toa, por pura brincadeira. Ele diz que quer dividir com o mundo a ideia de que dá pra comer super bem sem usar produtos de origem animal. O segundo vídeo da série de receitas é um purê de batata, com feijão e milho. Usando sua voz gutural e toda a parafernália demoníaca, o chef orienta seu súditos a seguirem o estrito código vegano, do qual já falamos por aqui. Uma maneira criativa, enfim, de disseminar uma mensagem.

Eu também já me senti muitas vezes uma espécie de bruxa, uma Maga Patalógika na cozinha, misturando ingredientes vindos de terras distantes para chegar bem perto da poção ideal, que curasse desde barriga vazia a amores mal resolvidos ou minidepressões dominicais. Que gostoso seria poder ousar mais, brincar mais na cozinha, sem aquela obrigação de se levar tão a sério: ser liberadamente uma paródia de si mesmo, e rir disso.


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