Para ler ouvindo London Calling


Quando eu fiz catorze anos meu pai não me mandou pra Disney, mas para Londres. Ao invés da parada com princesas em carros alegóricos, o que encheu meus olhos foi o figurino colorido dos hippies da Carnaby Street e um conceito até então desconhecido do meu repertório: design. Aquilo foi um “antes e depois” na minha vida. Minha filha Júlia fez 15, e eu quis proporcionar o mesmo para ela. Esforçando-me para domar qualquer expectativa sobre suas reações, lá fomos as duas no comecinho desse mês para uma semana à beira do Tâmisa.

Fazia muito tempo que não pisava lá. De uns vinte anos pra cá, minha referência maior no exterior tem sido Nova York e é inevitável que essa vire minha régua de comparação. Pois se a big apple é dos judeus, Londres é dos árabes e hindus. Em nenhuma cidade que conheci isso se faz tão presente, das indumentárias das pessoas nas ruas à comida do dia-a-dia dos londoners. Eles comem comida indiana como nós em São Paulo comemos a japonesa ou a árabe. Mas não só a indiana. Aconteceu uma coisa engraçada por lá. É o Império Britânico no prato. Tive a impressão de que eles incorporaram à sua dieta as culturas gastronômicas de todas as suas colônias, um fato que, até onde sei, não ocorreu com os demais desbravadores dos oceanos, como Espanha, Portugal, Holanda…

Neste parque de diversões de cheiros e temperos, Júlia esbaldou-se, mostrando mais uma vez que é uma baita gourmetzinha. Cafés, almoços e jantares, todos os dias, uma descoberta atrás da outra. Da pizza aos pedaços ao vizinho metidinho (mas ótimo) St. Johns. Dos dumplings de pit-stop dentro da Harrod’s ao chinês bacanudo Hakkasan. Pra um café-da-manhã very british, nada melhor que o Albion, um misto de mercadinho, café e hotel super charmoso. Pra descansar as pernas apenas o giro pelas lojas do Soho, as piadinas saudáveis do Flat Planet. Londres tem de tudo, pra todos e qualquer esquina. Tropeça-se em redes, cafés, restaurantes, bares, pubs etc., uma loucura. Outro que adorei, tanto pelos quitutes e como pelo modelo bem resolvido, foi a Mount Street Deli. Londres, como se sabe, também dita tendências pro mundo. Que tal um japonês sem shoyu? Essa é a proposta do Yashin, onde fui com minha amiga que mora lá Helena Gasparian.

De todos, se eu tivesse que escolher um, ficava com o clássico The River Café, com seus vinte e quatro anos de idade. Continua delicioso, mesmo após dois grandes baques recentes: um incêndio, que o deixou fechado por meses em 2008, e a morte de uma das suas co-fundadoras, Rose Gay, no início de 2010. Cozinha de ingrediente, fresquíssima, repleta de referências à Itália. Forno à lenha à vista no salão, tudo muito clean e rústico ao mesmo tempo. E tudo à beira do rio. E como eu amo uma beira de rio…

Guia Londres por Lady Mary Jane Charlotte

Moro (http://www.moro.co.uk/moro/restaurant/default.asp)

Ottolenghi/Islington (http://www.ottolenghi.co.uk/)

Nopi (http://www.nopi-restaurant.com/)

Morito (32 Exmouth Market)

The River Café (http://www.rivercafe.co.uk/rc_page.php)

Flat Planet (http://www.flatplanet.co.uk/)

Mango Tree (http://www.mangotree.org.uk/)

Yashin (http://www.yashinsushi.com/)

Hakkasan (http://w3.hakkasan.com/)

St John (http://www.stjohnrestaurant.com/)

Quilón (http://www.quilon.co.uk/)

The Wrestlers (337 Newmarket Road, Cambridge)

Les Trois Garçons (http://www.lestroisgarcons.com/)

Bistroteque (http://www.bistrotheque.com/)

Polpo (http://www.polpo.co.uk/)

Pellici’s (332 Bethnal Green Road)

Bob Bob Ricard (http://www.bobbobricard.com/)

The Mount Street Deli (http://www.themountstreetdeli.co.uk/)


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