Caçadores de mato: se a moda pega…


O tema foi pauta recentemente de uma matéria do NY Times e entrou para a programação do último Paladar Cozinha do Brasil. Em inglês, foraging, que deriva de forage (forragem). Numa tradução livre, em português, poderíamos falar em “caça ao mato”?

Bom, questões semânticas à parte, o fato é que tá virando moda as pessoas acharem que as praças e parques públicos podem servir de fonte de hortaliças, frutas e demais vegetais comestíveis, ou até, de peixes e tartarugas (sim! Leia a matéria do NYT acima…) para seus assados e caldos caseiros. Se o passarinho plantou e a terra é pública, quem achar o matinho comestível primeiro, leva. Será que tá certo isso?

Antes de dar uma opinião, vamos pensar nos prós e contras da história. Seus defensores dizem que as plantas recolhidas muitas vezes são de espécies não-nativas e invasivas, que interferem negativamente no ecossistema em questão. Em outras palavras, os caçadores de matos estariam fazendo um favor ao administrador do parque ao coletar esses materiais. De outro lado, caçadores dos caçadores argumentam basicamente o contrário: se todo mundo resolver fazer do jardim de todos, sua própria horta, insetos e pequenos animais freqüentadores assíduos do banquete público ficarão a ver navios, o que, aí sim, colocaria o biossistema em risco.

Um dos parques citados na matéria do NYT encontrou uma boa solução, já adiantando minha opinião sobre o assunto. Caçadores de mato devem se identificar junto ao administrador do parque e respeitar uma lista do que pode e o que não pode coletar, além de ter o limite de apenas uma determinada cesta por caçada. Essa me parece uma forma mais justa e coerente de utilização do espaço público. Assim como a plaquinha no lago do Parque Ibirapuera diz “Proibido pescar”, por que com as plantinhas podemos deixar a coisa solta? Quem sabe (ou pelo menos deveria saber) se pode ou não colher determinadas espécies é a autoridade responsável por aquele espaço. Na tentativa de fazer o bem (pensando com a cabeça dos favoráveis ao esporte), pode-se, sem o conhecimento necessário, fazer mal para o equilíbrio da natureza. E como a lei deve ser igual pra todos (experts no assunto ou não), não vejo outra saída a não ser essa. Se é uma demanda da sociedade, que a atividade seja, então, regulamentada.


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