Sobrevivendo no Sul


Pra quem está acostumado a frequentar os melhores restaurantes italianos aqui em São Paulo, onde é possível conhecer um pouco da cultura de várias regiões da Bota a partir da leitura de menus (vide os citados aqui), talvez seja um exercício muito interessante – e lúdico – voltar no tempo e no espaço e ver como era a culinária de sobrevivência dos colonos italianos no Rio Grande do Sul no final do século XIX.

Pois este é justamente o tema da minha pesquisa e da aula/palestra que farei no dia 26 de outubro no evento Mesa Tendências, dentro da Semana Mesa SP. O tema geral do encontro este ano é a relação enogastronômica entre Itália e Brasil. Para mim, falar sobre a colonização italiana no Sul é um prazer e, mais do que isso, faz parte de mim, pelos meus antepassados.

Descobri muitas curiosidades conversando com estudiosos, com a minha família e pesquisando em livros de história. Esses primeiros imigrantes eram de origem humilde e com pouca cultura (gente do campo e alguns artesãos), que, num primeiro momento, ao se embrenharem no mato em busca de um canto para viver, acabaram  dormindo ao relento, junto aos animais, e buscaram na natureza algo para comer.

Nesse contexto, caçar pequenos roedores, tatus e pássaros era prática comum, assim como utilizar os pinhões caídos junto às inúmeras araucárias, que posteriormente serviram como fonte de madeira para que os italianos construíssem suas casas e galpões. Milho, flores de abóbora, almeirão, frango. Com esses ingredientes básicos, fáceis de serem encontrados, surgiram pratos facilmente reconhecíveis para nós como “italianos”: polenta, fritada, ravioli de abóbora, galeto etc.

Definitivamente não podemos falar de cozinha italiana como sendo uma só. Ela é várias: depende do lugar (inclusive, curiosamente, fora da Itália) e do período em que se desenvolve. É bom poder ver que ela se renova, mas também mantém suas origens. Por que, por exemplo, os imigrantes italianos no Rio Grande do Sul não usavam cogumelos em seus pratos? Bom, para ouvir essa e outras histórias, convido vocês para minha palestra no Mesa Tendências. Veja como se inscrever aqui. Aguardo vocês lá!


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