Azeite das Américas


Outro dia, uma matéria no The New York Times me chamou atenção. Não apenas por falar de azeite, que eu adoro e já falei por aqui, mas por abordar justamente o crescimento e a qualidade da produção do tipo extravirgem na Califórnia, região que vem despontando no horizonte das oliveiras.

Automaticamente, associei a notícia à chegada às prateleiras do primeiro azeite brasileiro produzido em escala comercial, o Olivas do Sul, de Cachoeira do Sul (RS). Apesar do preço não tão acessível (uma garrafa de 500 ml de Olivas do Sul ultrapassa os R$35 em empórios aqui de São Paulo), a marca já disputa seu lugarzinho ao sol diante dos já tradicionais exemplares europeus.

Conquistou, esse ano, uma citação no guia italiano Flos Olei, que aponta os melhores azeites do mundo. Um orgulho para nós que, apesar de toda a nossa riqueza gastronômica, ainda não tínhamos um azeite para chamar de nosso. Feitos com duas variedades de oliveira cultivadas aqui, a arbequina e a arbosana –  de origem espanhola –  um dos azeites da marca teve o aroma caracterizado pelo Guia como harmônico, com teores vegetais que remetem a chicória, alface, alcachofra e ervas aromáticas como manjericão e salsa. A publicação também destaca a delicadeza de seu sabor, com toques de legumes frescos e amêndoas doces.

E essa onda de textura azeitada vem se espalhando por outros estados do país como Minas Gerais, São Paulo e Santa Catarina, cujas áreas de produção se assemelham em características geográficas e climáticas e, apesar de não terem representantes sendo comercializados, já exibem suas garrafinhas de extravirgem por aí.

Vários países da América Latina, por sua vez, já seguem há um bom tempo pelo caminho das oliveiras. É caso do Chile e da Argentina – com marcas já tradicionais como a Zuccardi e Montevecchio – que, assim como os seus bons vinhos, parece que também foram abençoados por terrenos férteis para o cultivo das azeitonas, cujas características se aproximam mais das encontradas no Mediterrâneo.

Isto posto, o fato é que ano a ano os azeites extravirgens produzidos em solo americano vêm ganhando destaque e despontando neste cenário, ainda tão dominado pelos países rodeiam o mare nostrum, detentores de quase 95% da produção mundial, com Espanha, Itália e Grécia à frente.

E, apesar de caminharmos a pequenos passos e constatarmos que ainda importaremos muito azeite até conseguirmos abastecer o nosso consumo interno (ou nossos paladares que nunca se cansarão de um bom olio italiano), é uma prova de que é possível encontrar bons azeites fora daquela região.  Uma grande notícia, não é mesmo?


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