The book is on the table


Dando as minhas navegadas por aí , fiquei sabendo sobre o recente lançamento do novo livro de Adam Gopnik, crítico da The New Yorker: The Table Comes First: France, Family, and the Meaning of Food, que em português por ser traduzido como A Mesa em Primeiro Lugar: França, Família e o Significado da Comida.

Confesso que já pelo título simpatizei com a publicação, afinal, qual chef não coloca a mesa em primeiro lugar? Aliás, descobri que a ideia para o título do livro veio de um comentário feito pelo chef inglês Fergus Henderson, do restaurante londrino St. John, que disse que não entendia como jovens casais começam uma vida juntos comprando um sofá ou uma televisão.  E emendou: “Eles não sabem que a mesa vem primeiro?”.

A ideia, na verdade, vai muito além do sentido literal que o título remete. Trata, principalmente, de toda a história, técnicas, significados e contextos que os pratos ou receitas carregam.  Na pergunta de Henderson alguns conceitos importantes da cozinha estão implícitos e imagino que era sobre isso que ele falava: a comida traz lembranças, o cheiro que sai da cozinha instiga nossa memória, o ato de cozinhar envolve dedicação, intensidade, amor… e compartilhar uma refeição  dá prazer, alegria, vida. Quer melhores ingredientes para um casamento?

E ao ler as críticas sobre o livro de Gopnik foi essa sensação que tive, de estar diante de um material que investiga todos esses significados. Que se empenha em descobrir de onde viemos, aonde chegamos e para onde vamos no mundo da gastronomia. Que tenta decifrar qual é o verdadeiro papel da comida em nossas vidas. Hoje, restaurante são lugares de peregrinação e os chefs vêm se tornando deuses… e por quê?

Como um bom apaixonado pela França – Adam morou no país por cinco anos e dessa experiência nasceu o seu maior bestseller Paris to the Moon – defende no decorrer de suas linhas a influência da cozinha francesa moderna na resposta para todas essas perguntas ao definir, desde a sua ascensão no século 18 – época também do nascimento do primeiro restaurante do mundo, em Paris –, as maneiras que comemos e tratamos sobre comida ainda hoje.

Num momento em que a cozinha tecno-emocional  está em seu auge  e a crítica especializada vem soprando a “decadência” da culinária francesa, ele caminha pelo lado oposto. Não negando o seu eventual desuso diante da euforia das novas técnicas, processos e chefs criativos que abrem mão do clássico a favor do ousado, mas reforçando a forte presença dessa cultura gastronômica em todos os lugares do mundo. E não apenas dos pratos, nas receitas, mas principalmente, no modo como se come, no que se come e nos significados que a comida ganhou – e vem ganhando –  nas mais diversas culturas.

Eu não vejo a hora de me deliciar por essas páginas!


Posts Relacionados

  • O bife da Mara  O bife da Mara “O que vem primeiro nestes relatos não são propriamente as receitas de cada região. Antes está o entendimento do ambiente onde o […]
  • O que Newton disse… em seu blog pessoalO que Newton disse… em seu blog pessoal O que Newton disse... em seu blog pessoal Olha, o post de hoje nada tem a ver com comida. Mas ganhei de presente um livro tão, mas […]