Abra o Coco, prove Coco


Durante minha infância, o óleo de coco ou banha de coco era a gordura número um na culinária domestica. Pelo menos na minha casa paterna e nas casas que eu frequentava, era assim. Algum tempo depois, com o surgimento do óleo de soja, veio uma campanha forte contra o óleo de coco. Passou de mágico para venenoso num piscar de olhos, assim como os ovos, abacates, etc, etc, etc…

Hoje em dia contamos com um número sem fim de gorduras vegetais comestíveis, mas a embalagem verde da gordura de coco, mesmo sofrendo alterações de lay-out, está lá – presente nas prateleiras de supermercados em todo o pais.

Defendido por uns e atacado por outros é apresentado como um produto rico em antioxidantes, sendo indicado como preventivo de um grande número de moléstias.

Em frituras (provavelmente seu pior uso em termos de saúde – como a maior parte das gorduras vegetais) tem a vantagem de não deixar cheiro.

Alguns botânicos defendem a hipótese de que o coco tenha vindo do sudeste asiático ou de ilhas da Polinésia na carona de navegadores, outros – que tenha aproveitado as correntes marítimas e se dando muito bem na região do Caribe, e outros ainda sugerem ser uma espécie típica da flora caribenha.

Independentemente de ser nativa, ter vindo na carona de algum navegante, aparecer boiando em nas costas americanas ou ter sido oferecido por uma entidade divina – conforme sugerem algumas lendas, o coco está ai e não podemos deixar de dar uma atenção especial a esse produto abundante, barato, nutritivo, saudável, do qual retira-se 100% de aproveitamento (casca, polpa e água – alimento, remédio, combustível, instrumentos musicais – sem falarmos dos troncos e folhas que tem uso na habitação).

Na culinária, é impar.

O coco mantém sua dignidade na direção que quisermos dar.

Doces, salgados, agridoces .. se mantém presente, de forma sutil acrescentando um toque especial em qualquer prato.


Cocada de Forno

Ingredientes:

  • 2 cocos frescos ralados sem casca, com a água (1/2 l ou 1/2 l de água de coco de garrafa
  • 2 col. (sopa) de manteiga sem sal
  • 3 ½ xícaras açúcar branco orgânico
  • 4 ovos
  • 1 colher (chá) baunilha (essência natural ou ½ fava, somente a raspa interna)

Preparo:

Untar uma assadeira com manteiga; acender o forno em temperatura baixa.

Levar a ferver a água de coco com o açúcar, mexer até dissolver e deixar formar uma calda (sem mexer, à partir deste momento), bem espessa; juntar o coco ralado e mexer com cuidado. Quando a mistura estiver bem seca, acrescentar a manteiga e a baunilha; mexer com colher de pau ainda por alguns minutos, sobre fogo baixo. Apagar o fogo e retirar a panela do fogão; reservar. Bater os ovos (clara e gemas juntos) com uma colher (sopa) de açúcar até espumarem. Virar esta mistura ao doce – mexendo continuamente para não talhar – melhor se for feito com um ajudante. Derramar numa assadeira untada com manteiga; levar ao forno baixo, até que a superfície do doce fique dourada, mas o interior ainda permaneça cremoso.


Dia 12 de agosto de 2012 – Dia dos Pais – Na segunda edição do evento realizado pelo Instituto Pelé Pequeno Principe, ao som da Orquestra Sinfônica Brasileira, executando Radamés Gnattali, eu e um poderoso nipe da cozinha contemporânea brasileira (vide esse post), orquestramos a cozinha numa produção de apoio a essa entidade filantrópica.

Apostando no coco como produto representativo da nossa culinária, apresentei a “Cocada de Forno” – sucesso total.


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