Arroz é arroz e pronto?

Durante a maior parte da minha vida, arroz era arroz. O conceito de “commodities” se aplicava ao arroz.  Arroz era arroz e pronto.
A diferença maior estava nos cuidados de alguns fornecedores que ofereciam o produto mais limpo (sem a necessidade de catar), com os grãos inteiros ou em embalagens mais interessantes. No inicio dos anos 70, no “bum” do movimento hippie, voltou à mesa o arroz integral e a partir dai começamos (pelo menos eu) a identificar os dois tipos básicos: o arroz longo (agulha) e o cateto. De – mais ou menos – vinte anos pra cá arroz tem grife. É arbóreo, carnaroli, thai-jasmin, cateto, gaúcho, agulha-longo, agulha-curto, vermelho, negro, etc, etc .. até arroz selvagem, que nem arroz é (é uma outra gramínea).
Os arabes dizem que o arroz nasceu de uma gota de suor de Maomé. No oriente o arroz é o principal alimento e símbolo da fertilidade e da prosperidade.  Na mitologia japonesa Inari é o deus do arroz e da agricultura. Daikoku, o deus da riqueza, é muitas vezes representado por um saco de arroz. Conforme o rito xintoísta, é oferecido à alma dos antepassados, no oratório familiar, um bolo de arroz, o moshi.Tem uma lenda andina que diz, ser o arroz um extraterrestre.
Digam o que digam, o arroz é o segundo grão mais consumido no planeta, perdendo unicamente para o trigo que participa ativamente em grande parte da panificação e produção de pastas do planeta.
No Brasil os maiores produtores de arroz são o Rio Grande do Sul e o Maranhão com o arroz de sequeiro. No sul do país temos as maiores pesquisas e também as empresas com mais qualidade, volume e tradição nesse alimento. Eu estou sempre ligada nas variedades, formas de preparo e os seus resultados na culinária. Realmente, para mim, arroz não é “commodities” e dessa forma estou sempre ligada. Experimento todas variedades e as novas marcas que aparecem no mercado.
Outro dia fiquei surpresa, não só com a qualidade como com a tradição do Arroz Palmares da Cooperativa Arrozeira Palmares (produzindo desde 1961), no município de Palmares a menos de 100 km da capital gaúcha. Situada numa estreita faixa de terra entre a Lagoa do Patos e o mar, a área reúne as mais perfeitas condições para esse cultivo.
Eu experimentei o Gold Standard, que é o produto “premium” da cooperativa.
Aprovei e recomendo.
Fiz um arroz de carreteiro que ficou espetacular (aproveitando as sobras de um churrasco domingueiro).


Arroz de Carreteiro em panela de ferro

Ingredientes para 6 pessoas:

  • 1 kg da carne que sobrou do churrasco
  • 1 cebola cortada em tirinhas
  • 2 dentes de alho picados
  • 2 xícaras de arroz sem ser lavado
  • Azeite
  • Sal

Preparo:
Desfie as carnes que sobraram e refogue com cebola, alho e azeite.
Acrescente o arroz nesse refogado, cubra com água fervente até 3 dedos acima do nível do arroz e deixe cozinhar em fogo baixo.
Finalize com a salsinha picada e sirva na própria panela de ferro.
O carreteiro deve ser servido bem molhadinho.


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