Tem uma estrela muito linda no céu


Se existe uma afirmação incontestável na minha vida, é o fato de que eu sou agraciada pelo destino (se é que destino existe .. eu acho que existe – não num sentido fatalista, mas sim um cenário de oportunidades e possibilidades que trilhamos utilizando nosso livre-arbítrio).

Dentro dessa visão e entendimento, agradeço ao cosmos por me fazer pertencer a este grupo familiar, por ter os amigos que tenho, parceiros e amores que tive e tenho ao longo deste meu meio século de existência.

Esta semana que passou, marcou meu coração. Fui forçada (pelas circunstancias) a praticar um exercício de superação de “perdas” e um desprendimento que achei que já tinha. Ledo engano.

Como se isso fosse um livro de Machado de Assis, a historia de Maria de Lourdes (a Baiana) – na minha vida e na vida de toda minha família – descreve uma criatura iluminada, um ser totalmente integrado espiritualmente em todos os níveis de minha existência. Com menos de 10 anos de idade, a “Baiana” foi adotada por minha vó .. quando minha mãe nasceu ela já estava lá ajudando com a lida da casa e dando todo o suporte básico e necessário que um bebê demanda.
Assim foi com minha mãe e todos os meus tios. Lá estava a Maria de Lourdes, firme, presente, focada, impecável, amorosa, transbordando seu permanente bom humor.

Os anos passaram, minha mãe cresceu, casou, eu nasci, nasceram meus irmãos e lá estava Maria de Lourdes acompanhado de perto, dando apoio e “segurando as pontas”. Casei eu, casaram meus irmãos, procriamos e lá estava a Baiana ajudando a criação da 3ª geração.

Em outras palavras: Baiana esteve em todos os momentos, fases, nascimentos, crescimentos, desenvolvimentos e mortes da minha família (nas boas e nas ruins). E agora – neste mês de outubro – ela anunciou que estava sendo chamada pelo Pai do Céu (como ela mesma dizia) e que logo-logo iria se encontrar com a Hebe Camargo (de quem era fã). Maria de Lourdes estava com 85 anos e – como sempre foi muito bem humorada, criativa e inventiva – essa conversa não surpreendeu, até porque estava totalmente lúcida, andava sozinha por todos os lugares e gozava (aparentemente) de ótima saúde. Alguns dias depois, queixou-se de dores, foi ao médico, de lá hospitalizada às pressas e de lá pro céu.

A Baiana é mais uma estrela no firmamento. Pra mim, uma estrela especial, a mais luminosa. Driblando o despreparo que (todos nós ocidentais) temos, alimento meu coração agradecendo pelo privilégio de te-la em meu convívio durante – até agora – toda minha vida.
Cuidou de mim, me amou, foi minha cúmplice e confidente. Ótima cozinheira, a Baiana é uma das responsáveis pelo meu gosto culinário. Eu sou uma agraciada.


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