O glúten mandou dizer que cerveja no way


Já pensou?  Nada de cerveja… nada de macarrão… lasanha… canelones… pão frances quentinho… ui.

Durante muito tempo as pessoas com intolerância ao glúten, ficaram proibidas de saborear alguns alimentos bem interessantes.

Como o desconforto (inclusive perigo de vida) era muito grande, os Celíacos (como são chamados os que tem essa patologia) se resignavam, buscando outras alternativas alimentares. E diga-se de passagem, não são poucas.

Essa doença – pelo que se supõe – está presente na humanidade desde priscas eras.

No século II, um grego – chamado Aretaeus da Capadócia – descreveu um determinado tipo de diarréia crônica, usando a palavra “Koiliakos” (aqueles que sofrem do intestino). Tudo leva a crer que já naquela época ele se referia à doença celíaca que, em 1888, Samuel Gee – médico pesquisador inglês – descreveu detalhadamente, sugerindo que as farinhas poderiam ser as causadoras.

Em 1950, o Prof. Dicke (pediatra holandês), divulgou que – durante a 2ª guerra mundial – as crianças com essa “afecção celíaca” melhoraram da sua doença apesar da grave carência de alimentos, causada pelo racionamento de alimentos imposto pela ocupação alemã que reduziu drasticamente o fornecimento de pão à população holandesa. Dicke associou então este fato, com o baixo consumo da dieta em cereais e assim, a hipótese de ser o glúten a causa da doença.

Recentemente (2010), pesquisadores pertencem ao Instituto de Investigação Médica Walter & Elisa Hall, em Melbourne, na Austrália, fizeram a descoberta (comprovação científica) da causa da doença celíaca. Determinados compostos nocivos presentes no glúten, chamados de péptidos são os vilões dessa intolerância.

Alerta: O glúten está presente nos seguintes cereais: trigo, cevada, centeio e na aveia.

E assim, curativa ou preventivamente, pães, pastas e cervejas foram tirados dos cardápios dos celíacos.

A industria alimentícia é obrigada a denunciar, nos rótulos de seus produtos, a presença ou não de glúten.

Como uma profissional do ramo da alimentação, sempre me preocupei com essas (ditas) minorias desfavorecidas (intolerantes a locatose e glúten) e busco oferecer em meus cardápios opções – igualmente – saborosas e nutritivas.

Minha sócia no Las Chicas, Carolina Brandão, não se relaciona bem com o glúten, mas isso não a impede de comer muito bem nem de ser uma excelente doceira.

Estamos no Sec. XXI, não faltam alternativas, nem informações, nem conhecimento.

É só se ligar.

Já há algum tempo, além da existência de casas especializadas, encontramos na maior parte dos supermercados, prateleiras específicas com produtos compatíveis.

O Bifum (Vermicelli do Arroz), macarrão de arroz tradicional na culinária oriental, Talharins e outros tantos produtos com base de Arroz, são opções que substituem – sem ficar devendo em sabor e consistência – às massas tradicionais de “grano duro”.

Uma excelente notícia – mesmo não sendo uma notícia em primeira mão, pois data de 2004: o mestre cervejeiro inglês, Derek Green (celíaco também) colocou no mercado a Green’s – uma linha completa de cervejas sem glúten. Derek garante que além de não conter glúten, esta cerveja artesanal inglesa também não contém outros alérgenos alimentares comuns (como crustáceos, ovos, peixe, amendoim, soja, leite, lactose, nozes, mostarda, gergelim e sulfitos), sendo composta de trigo sarraceno.

O trigo Mourisco ou Sarraceno que, na realidade não é trigo – trata-se de uma gramínea que está mais pra arroz que pra trigo) é uma excelente opção para substituir alguns desses cereais comprometidos.

Essa cerveja se encontra no Brasil nas boas casas do ramo. Eu provei na casa de um amigo celíaco e só fiquei sabendo que não tinha glúten porque ele mesmo falou. Achei saborosíssima.

Ou seja .. intolerantes a isso ou aquilo .. só comem mal se quiserem.

Bem .. vou receber minha amiga Carol para o jantar – preparei um Tagliatelle Thai com Frutos-do-Mar .. a Green’s gelada ela disse que traz.


Receita do Tagliatelle Thai com Frutos-do-Mar
8 porções

Ingredientes:
1 cebola média picada grosseiramente
2 dentes de alho picados grosseiramente
2 talos de capim cidreira picados grosseiramente
½ colher de sopa de pasta de curry amarelo
Oléo Mazola
1 ½ Lt de caldo de cavaquinha
500 ml de leite de coco
250 ml de água de coco
Sal
250 de lulas,
250 g camarões médios,
250 g de polvo pré cozido,
250 g de cubos de robalo
Folhas de alfavaca

Preparo: 

Aqueça o oléo em uma panela, junte a cebola, o alho, o capim cidreira, e a pasta de curry e refogue bem.
Junte o caldo e o leite de coco+agua de coco e ferva até reduzir à 2/3.
Acerte o sal e coe.
Na hora de servir grelhe os frutos-do-mar, junte 1 ½ conchas do molho, ciboulette picadas e o tagliatelli de arroz já hidratado.
Monte em prato fundo e decore com fitas de coco queimado e folhas de alfavaca.


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