O momento da “cozinha brasileira”.


Me sinto realizada.

Nos meus “mais de vinte anos” trabalhando com seriedade e dedicação, sou testemunha da maturidade gastronômica brasileira.

Para comemorar, vamos brindar com uma espumante brasileira. De um tempo pra cá – nossa espumantes – figuram com direito a medalha, nas principais cartas de vinhos do planeta.

A culinária brasileira tem nome próprio. Não é mais comida baiana, gaúcha, carioca, mineira, sergipana .. é comida brasileira – de algum canto deste país continental.

Nas redes sociais – cada vez mais nos deparamos com a valorização de nossos produtos.

A valorização do produto regional, suas propriedades, sabores, manejo e vantagens, fazem parte de um novo momento cultural que podemos chamar de gastronomia brasileira contemporânea.

Há alguns anos venho me dedicando a esse resgate, a releitura de pratos tradicionais que datam dos silvícolas nativos destas terras, a influência da cozinha africana, a receita do português, do espanhol, do holandês, do francês, do alemão, do italiano. Interferências de colonizadores e imigrantes desenvolvendo com uma fauna e flora exuberante uma cozinha típica, impar, única e muito especial.

Essa é a linha que tenho adotado no Brasil no Prato. Comida regional, produtos especiais, a cozinha rural, a alimentação urbana, as influências .. tudo dentro do cadinho racial e cultural Brasil.

Camara Cascudo, na História da Alimentação no Brasil, deu ciência (em formato acadêmico) do mix de influencias de nossa culinária. É uma Bíblia.

Viajando pelo Brasil tenho me surpreendido – positivamente – com a qualidade dos investimentos nesse segmento.

A cozinha brasileira ganha status de “comida boa, saudável, variada (para todos os gostos), com produtos tanto tradicionais como exóticos.

Em todo o lugar surgem restaurantes de “Comida Brasileira” sofisticada – com um toque gourmet.

Só pra termos uma idéia, em Belém-PA, o chef Thiago Castanho que comandava a cozinha do Remanso do Peixe apresentando uma comida típica paraense, inaugurou – em dezembro ultimo – o Remanso do Bosque, focado em produtos nativos e técnicas tradicionais. Peixes , pupunha, camarões, banana da terra … um sabor brasileiro com toque amazônico.

Já em São Paulo-SP, Rodrigo Oliveira mantém o foco e o sucesso no Mocotó Restaurante e Cachaçaria. Baião de Dois, Torresmo, Carne-seca, Mandioca, estão entre os produtos consumidos em quantidades gigantescas.

Daniela Craidy, que já tinha apresentado um restaurante que marcou Porto Alegre-RS por mais de 15 anos – “O Sanduiche Voador”  – mergulhou de cabeça na cozinha brasileira e criou o “Iaiá Bistrô”.Moquecas, galinhada com pequí, pato a tucupi, sorvetes de frutas locais, canjicas e mais um mundo de sabores bem Brasil.

Em todo o pais, em cada cidade me deparo com um novo empreendimento. Brasileiros preparando comida brasileira de ótima qualidade. O tempero da terra, o gosto da região, técnicas ancestrais junto com tecnologia de ponta. Uma releitura saudável e saborosa. O gosto do Brasil.

Ou seja, motivos de realização não me faltam. O caminho que comecei a trilhar com uma meia dúzia de pioneiros no inicio dos anos 90, já oferece seus frutos. No radio, na TV, revistas especializadas, colunas em periódicos importantes, blogs, sites e aparecendo forte nas redes sociais, a culinária brasileira é pauta e tem excelente audiência.

Em homenagem a este Brasil de norte a sul, de leste a oeste uma receita de pudim de Tapioca.
Provei na virada do ano na casa de Nick Santiago e preparado pelo próprio.
Simples, saborosa, nutritiva e com um sabor bem Brasil.



Pudim Thai Coco-Tapioca com calda de manga

Ingredientes:

  • 500 g de tapioca em grão (aquela do Pará)
  • 100 g de manteiga
  • 1,5 litro de leite
  • 500 ml de leite de coco
  • 200g de coco ralado
  • 1 pitada de sal
  • Açúcar ou leite condensado a gosto

Preparo:
Num refratário misturar a tapioca, a manteiga, o coco e o sal.
Mexendo sempre – ferver o leite com o leite de coco e derramar sobre o refratário,
Adoçar se necessário
Em seguida pôr o conteúdo na fôrma untada com manteiga, abafar e guardar por 12h fora da geladeira em lugar escuro  (eu ponho no forno desligado)
Desenformar e servir gelado com a calda de manga.

Calda de manga:
2 mangas Haden batidas no liquidificador

 


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