Gnocchi do Pantaleão


Dia 29 é dia de nhoque. Dia de uma simpatia que promete fortuna e boa sorte.
A receita é muito simples:

Ingredientes:

  • Um prato
  • Uma porção de nhoques (mais de 7), com seu molho predileto, um bom queijo parmesão ou como preferir.
  • Uma nota de qualquer valor (Pode ser Real, Dólar, Euro ou outra).

Preparo:
Coloque a nota embaixo do prato;
Coloque (no prato) o nhoque com seu molho predileto;
Escolha 7 nhoques;
Fique em pé;
Coma um dos sete nhoques de cada vez;
Para cada nhoque que comer, faça um pedido;
Destine da nota.
Obs. existem três correntes

1ª Guarde o dinheiro para gastar no próximo dia 29;
2ª Guarde o dinheiro e use-o novamente no próximo dia 29;
3ª De a nota para algum necessitado.

Agora sente-se e saboreie !! 


A ritual do nhoque da fortuna está ligado a uma lenda que envolve São Pantaleão.

Diz-se que, num certo dia 29 dos idos do Séc. IV, perambulando por um vilarejo na Italia, faminto e com trajes de andarilho, Pantaleão bateu à porta de uma casa para pedir comida.

A família, mesmo muito numerosa e pobre, convidou o pobre homem para a refeição sem se importarem em dividir os poucos nhoques que tinham. Com a divisão, cada um recebeu 7 nhoques.  Após a refeição – nosso andarilho – agradeceu, despediu-se e partiu.
Quando recolheram a mesa, descobriram que embaixo de cada prato havia dinheiro – ao todo, uma boa soma.

O ritualesco costume de comer nhoque no dia 29 é bem mais recente que o prato em si. Provavelmente foi o primeiro tipo de massa caseira – apesar de alguns gastrônomos não o enquadrarem nessa categoria. O espaguete, o ravióli e variações são posteriores. Supõe-se que o nhoque exista desde antes dos antigos gregos e romanos.

Em português, escreve-se nhoque. Em italiano, escreve-se “gnocchi” e tem um som muito parecido.
Durante sua história, o nhoque começou a ser elaborado com várias farinhas, sobretudo de trigo, arroz e inclusive com pão. Anos depois, a massa foi enriquecida com espinafre, queijo, castanha, carne ou peixe. Após a introdução do milho na Itália (meados do Séc VI), surgiu o nhoque de polenta.
Mas foi a chegada da batata, entre os séculos VI e VII, que mudou a história do prato. Tornou-se seu ingrediente supremo, embora continuem sendo prestigiados os nhoques de farinha de trigo e semolina.

Na Alemanha existe um prato semelhante, chama-se “spätzle” e acompanha caça, carne assada ou e servido gratinado.
A Hungria repete a receita, mudando o nome para “galuska”, harmonizando com o “goulash” (ensopado de carne conhecido desde o século IX). Ambos feitos com farinha de trigo.

Eu acredito que nhoque dê sorte, mas o que esta valendo é que nhoque é nutritivo, barato e muito fácil de fazer.
Brincar com esse ritual é, além de divertido, muito saboroso.

Entre muitos nhoquis, vamos experimentar o “Gnocchi Alla Romana”, um receita da cozinha camponesa da região do Lazio.
Embora simples e considerada rústica, apresenta um nhoqui delicado e suave.


Nhoques de semolina a romana
para 4 pessoas

Ingredientes:

  • 1 litro de leite
  • noz moscada q.b.
  • 200g de manteiga
  • 150g semolina
  • duas gemas
  • sal e pimenta do reino a gosto
  • 180g parmesão ralado
  • 2 xícaras de farinha de trigo

Preparo:
Ferva o leite, a noz moscada e metade da manteiga.
Acrescente a semolina e misture usando um batedor manual.
Abaixe o fogo e cozinhe por 8 a 10 minutos.
Retire do fogo e junte as gemas, o sal, a pimenta do reino e 80 g de parmesão.
Coloque a massa em uma assadeira para esfriar.
Com a ajuda de um cortador canelado, corte a massa em círculos de 4cm de diâmetro por 2cm de altura.
Polvilhe com farinha de trigo sempre que precisar para não grudar.
Coloque o nhoque em uma forma refratária, polvilhe com o restante do parmesão.
Distribua a manteiga restante sobre o nhoque e leve ao forno bem quente – 250ºC – para gratinar.

Bom Apetite e Boa Sorte! 


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