Sarapatel, macaxeira e um sotaque francês


Continuando minhas andanças pelo nordeste, ainda em Recife, orientado pelo meu parceiro de TV no Bem Simples da FOX, o chef Duca Lapenda, conheci dois lugares que mereceram minha total atenção.

Na semana que passou eu me dediquei a falar dos queijos produzidos por Vitória Barros a 60 km de Recife. Queijos pernambucanos com cara de 1º mundo. Agora quero falar de dois restaurantes especiais. Um produz a típica comida pernambucana o outro faz uma delicada e sofisticada releitura.

Pois bem, perto do Aeroporto Gilberto Freyre, o Guararapes, no bairro IPSEP, na Av Saldanha Marinho 645 tem o Bar e Restaurante do Luna. Imperdível para quem quer saborear a típica comida do sertão pernambucano, do jeito que é feita no sertão, do jeito que é servida no sertão.
No comado dos serviços, Seu Luna e mais meia dúzia de garçons voam pelo salão trazendo mais e mais pratos que vão desde um sarapatel, passando por uma galinha a cabidela, farofa de ovo, pirão e mais um mundo de sabores típicos até a chegada de um enorme chambaril com legumes. Pra quem nunca ouviu o nome chambaril, leia-se osso buco.
No comando da produção da cozinha, a chef Claudinha – filha de Seu Luna, reproduz as receitas de sua falecida mãe, Elizete com sofisticado primor. Na equipe de Claudinha, só mulheres.
Para a sobremesa, entre doces típicos, tem um pudim de leite, receita da mãe do Seu Luna que encerra os serviços em alto nível.
No Bar e Restaurante do Seu Luna, ninguém batuca, ninguém joga, ninguém vai apenas para beber e muito menos para fazer algazarra. O lugar é pra quem quer comer uma típica comida pernambucana.
Políticos, artistas, chefs e pernambucanos de todas as classes e procedências fazem fila, para comer o que há de mais tradicional na comida pernambucana.

No contra-ponto, sofisticando na técnica mas, mantendo tudo que há bom na culinária pernambucana temos a cozinha do Ponte Nova. Depois de cursar a Escola Superior de Cozinha Francesa – Ferrandi em Paris e trabalhar em alguns dos bons restaurantes da capital francesa, Joca Pontes voltou para comandar a cozinha do Ponte Nova na Zona Norte de Recife, na rua do Cupim, 172.
O trabalho de Joca tem tudo a ver com a moderna tendência de comida saudável, dependente de uma produção regional, em grande parte orgânica e artesanal citada como referencia nos cardápios da casa. Uma verdadeira valorização dos bons fornecedores que na realidade atuam como parceiros.
Misturando com delicada elegância produtos típicos da região, produz resultados interessantíssimos na combinação de sabores familiares. Queijos, embutidos (tudo artesanal) se combinam com legumes, frutos do mar, carne seca, patos, galinhas caipiras e de angola, frutas, macaxeira, pimentas, cogumelos e mais uma quantidade – muito bem dosada – de temperos típicos  e conhecidos da região.
Todos esses produtos são arranjados e combinados utilizando criteriosas técnicas da cozinha francesa.
Das entradas às sobremesas, uma verdadeira experiência sensorial.

São dois locais com duas leituras diferentes da cozinha pernambucana que eu fui, provei, gostei, recomendo e vou voltar.

Carla Pernambuco


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