Casamento na Roça

Lua branca das ribeiras a quem mostras o caminho
Às bruxas, às feiticeiras ou a quem anda sozinho
A ribeira tem segredos que tu andas a esconder
Lua branca das ribeiras de quem é o teu brilhar
Das moças namoradeiras ou de quem as faz penar 

(da Quadrilha Lua Branca Das Ribeiras)

Os festejos juninos são reminiscências de antigos ritos de fertilidade.
Atualmente, são celebrações que acontecem em vários países, historicamente relacionadas com a festa do solstício de verão (no hemisfério norte) e de inverno (no hemisfério sul).

Para nós, a festa da entrada do inverno, da noite mais longa do ano.

Em torno de uma fogueira a festa rola solta. É uma quermesse com muitas brincadeiras, bandeirinhas, chapéu de palha, vestido de chita e bancas de comidas típicas. Pamonha, pipoca, pé-de-moleque, milho cozido, canjica, cuzcuz, bolo de milho, arroz doce, bolo de amendoim, bolo de pinhão, pinhão assado, bombocado, maçã do amor, broa de fubá, cocada, quentão, vinho quente, puxa-puxa, batata doce e muitas outras delicias juninas dão a essa festa um sabor muito especial.

Correria, bilhetinhos, pula-fogueira, pescaria e tem até banca do beijo .. e se não tem, tem beijo roubado. Mas o ponto alto da festa é o Casamento na Roça, o Casamento do Matuto.

O Casamento na Roça, imortalizado a óleo por Cândido Portinari e recitado aos quatro cantos em versos e quadrilhas é uma representação onde os jovens debocham com muita malícia e liberdade da instituição do casamento, da severidade dos pais, do sexo pré-nupcial, da gravidez involuntária e suas consequências, do machismo, da igreja e dos valores da moral tradicional.

O resistente e contrariado noivo fujão, a noiva assanhada, a viuva que denuncia que a noiva está grávida, o pai indignado obriga o noivo a assumir, o xerife e seus soldados dando apoio a ordem, moral e bons costumes. No meio disso, a mãe da noiva e do noivo desmaiam consternadas, o padre celebra animando a festa, o juiz consagra, os amigos do noivo tentam um fracassado plano de fuga e muitas outras peripécias fazem parte desse enredo debochado, em linguagem satirizada e chula.

Passa o bonchincho, as crianças vão pra casa dormir e os casais de enamorados se abraçam perto da fogueira que se transformou num grande braseiro. A noite está estrelada.

Uma batata doce assada e um beijo com gosto de quentão.


Arroz Doce Conventual (6 porções)

ingredientes:
1 xícara de arroz tipo 1
1 litro de leite
1/2 lata de leite condensado
3/4 xícara de leite de coco
1 1/2 xícaras de açúcar
1 1/2 colheres de sopa de raspas de limão siciliano
3 pauzinhos de canela
4 gemas
1 1/2 colheres de sopa de amido de milho

modo de preparo:
Cozinhe o arroz em água fervente até bem macio, escorra e reserve.
Ferva o leite juntamente com o leite de coco, raspas de limão e canela. Acrescente o arroz pré-cozido e ferva por mais alguns minutos até cozinhá-lo bem.
Junte o leite condensado, o açúcar e continue fervendo lentamente para reduzir um pouco o caldo e adquirir uma consistência cremosa.
Misture as gemas com o amido e um pouquinho de água, acrescente ao arroz doce, misturando bem, cozinhe por mais 8 minutos e retire do fogo.
Resfrie para servir.


Quentão

ingredientes:
2 litros de vinho tinto
200 ml de água
100 ml de cachaça
1 xícara de açúcar
2 pauzinhos de canela
10 cravos
8 rodelinhas de gengibre fresco
1 colher (de chá) de raspas de limão

modo de preparo:
Misture todos os ingredientes em uma panela
Leve ao fogo
Quando levantar fervura, deixe por mais 10 minutos
Sirva quente
Mantenha sempre acesa a fogueira do seu coração

Carla Pernambuco


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