Beijo vermelho com gosto silvestre

Amor, Amora, Amoreira.
Boca pintada de beijo vermelho.
Gosto doce, silvestre, único…

No Brasil é uma fruta silvestre – nativa.
Amora-Vermelha,  Amora-Preta e a Amora-Rosa. A Vermelha é chamada de morango silvestre em alguns lugares, a Rosa é chamada de Taiúva e a Preta de Amora-do-Mato. Se desenvolvem em todo o território nacional e nos brindam com seus frutos na primavera (de setembro a novembro).
Ricas em vitamina C, são geralmente consumidas ao natural, nas tortas caseiras – principalmente nas áreas rurais – ou na cachaça, resultando num fantástico licor de amora.
De uns tempos pra cá passou a ser apresentada de uma forma gourmet em geleias, sorvetes, sobremesas ou em natura dom chantilly.

A amoreira branca, é cultivada para a criação do Bicho da Seda (que se alimenta de suas folhas) e a Negra a preferida dos seres humanos pela doçura de seus frutos.
São árvores cadicifolias ou decíduas – ou seja: proporcionam uma bela sombra durante a primavera-verão e perdem as folhas no outono-inverno. Isso as torna especiais para jardinagem e paisagismo nos climas frios e temperados.

Tu gostas de Amora?
Vou contar para teu pai que tu namoras.

Amora tem gosto de infância. A aventura de subir na amoreira para pegar a mais bonita.

Da mitologia vem a origem da vermelhidão das amoras na história de Píramo e Tisbe.
De toda a babilônia, Píramo era o jovem mais belo, e Tisbe a mais bela donzela , durante o reinado de Semírades.
Desde crianças eram vizinhos e aos poucos a amizade se transformou em amor. Esse amor foi impedido por seus pais e quanto mais proibido, mais forte ficava.
Se comunicavam por sinais e trocavam olhares e a cada dia o fogo desse amor ardia muito intensamente. Não havia mais como escondê-lo.
Secretamente, após lamentar a sua dura sina, concordaram em fugir para ficarem juntos. Combinaram encontrar-seno túmulo de Nino, monumento fora da cidade. Quem chegasse primeiramente deveria esperar pelo outro embaixo de uma amoreira branca que ficava ao lado de uma fonte de águas refrescantes.
À noite, Tisbe, com um véu sobre a cabeça, saiu de sua casa sem ser notada pela família, se dirigiu ao monumento e sentou-se a esperar junto a árvore.
Enquanto ali estava, avistou uma leoa que tinha na boca pedaços de uma presa recente e se aproximava da fonte para matar a sede. Assustada, Tisbe saiu dali e refugiou-se numa gruta.
Na fuga, deixou cair o seu véu.
A leoa matou sua sede virou-se para retornar à mata. Vendo o véu caído no solo, lançou-se sobre ele, rasgando-o com seus dentes ensanguentados.
Atrasado, Píramo, aproximou-se do local combinado e viu as pegadas do felino na areia e em seguida encontrou o véu todo rasgado e cheio de sangue.
Sentindo-se culpado pela morte de sua amada – por haver se atrasado – recolheu o véu, carregou-o até a árvore escolhida para o encontro, desembainhou a sua espada, feriu o próprio coração. O sangue jorrou até a terra e, chegando às raízes da árvore, tingiu todas as amoras com a cor da paixão.
Sem saber do acontecido, Tisbe, que ainda tremia de medo, desejando encontrar o amante, saiu cautelosamente, olhando ansiosa para encontrar o jovem e contar-lhe do perigo de que havia escapado.
Quando chegou ao pé da árvore e viu a cor vermelha das amoras, pensou que estava no local errado. Hesitando, avistou o corpo do rapaz que ainda agonizava. Abraçou o corpo trêmulo, derramando lágrimas sobre o ferimento do rapaz e dando-lhe beijos nos lábios frios.
Entendendo o que houvera ocorrido e sentindo-se culpada pela morte de seu amado deu, também, fim a sua vida, pedindo à árvore que conservasse o vermelho das amoras como tributo a esse amor.
E os frutos da amoreira, até hoje são vermelhos.

Mesmo a trágica história dessa paixão, não tira o gosto vermelho silvestre dessa paixão. Amora, amoreira como um beijo doce do amor sempre possível, por mais impossível que seja…
… aí vai uma a receita para adoçar essa tragédia!!


Cheesecake fácil com calda de amoras, Morus Nigra

ingredientes:
1 1/2 Xícaras de bolachas de maizena
6 colheres (sopa) de manteiga (temperatura ambiente)
2 colheres (sopa) de açúcar
500g de cream cheese
1/2 Xícara de açúcar de confeiteiro
1 colher (chá) de baunilha
1 colher (sopa) de casquinhas de laranja
Suco de meia laranja
1 Xícara de creme de leite fresco

Preparo:
Misture as migalhas da bolacha de maizena, açúcar, manteiga até que a mistura fique toda grudadinha;
Coloque e pressione a mistura em uma forma de retirar o fundo (springform pan);
Misture o cream cheese, açúcar de confeiteiro, baunilha,suco e casquinhas de laranja em um “bowl” até ficar cremoso (com a mão);
Bata o creme de leite e “fold” na mistura de cream cheese;
Coloque a mistura de cream cheese por cima da base de bolacha. Deixar refrigerar por 6 horas;
Antes de servir, tire da forma,decore e sirva com a calda de amora negra.


Calda de amora ou de alguma outra fruta de sua preferencia
150g de amoras
3 colheres (sopa) de açúcar
suco de meio limão
Ferver, reservar e deixar esfriar.

beijos de amora negra
Carla Pernambuco


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