A saga dos “torna-viagem”

Ir a Portugal, para nós brasileiros, é um pouco como visitar a casa de uma tia que mora no interior. Onde tudo é aparentemente diferente da nossa própria casa, mas cada pedacinho de papel encontrado no fundo de uma gaveta pode ter relação direta com a história da nossa vida.
E, então, você está conhecendo especificidades portuguesas quando de repente aparece no meio da história um personagem – “Brasil” – que, quando é dito por eles, soa como uma terra distante e peculiar que nem parece a mesma em que eu vivo o ano todo. Foi assim quando nos contavam por aqui outro dia as histórias do Moscatel de Setúbal – um “vinho generoso”, como dizem os portugueses, que já teve seus dias de glória tanto quanto o Vinho do Porto, mas cujo consumo hoje caiu muitíssimo e se limita quase exclusivamente às regiões de Setúbal e Lisboa.
Acontece que a grande vedete entre os vinhos Moscatel de Setúbal são os chamados “torna-viagem”. No século 19, quando os navios portugueses viajavam mundo afora fazendo todo tipo de comércio, era comum que levassem em consignação um carregamento de garrafas do Moscatel de Setúbal para serem vendidas no Brasil. Porém, sempre sobravam algumas garrafas que não eram comercializadas, e essas eram trazidas de volta a Portugal. Conta-se que assim, por acaso, descobriu-se que, depois de ter navegado um bocado de léguas, cruzado a linha do Equador duas vezes, o vinho voltava muito melhor do que era quando tinha embarcado.

A última safra dos autênticos “torna-viagem” era de 1884 e já foi vendida há anos, mas em 2000, aproveitando os eventos comemorativos dos 500 anos do Descobrimento do Brasil, a bodega José Maria da Fonseca – o mais tradicional nome entre os produtores do Moscatel de Setúbal – decidiu recriar a saga dos “torna-viagem”. Colocou seis tonéis da colheita de 1984 no veleiro Sagres, que viajou até o Brasil para comemorar a data festiva. Devidamente “torna-viajados”, eles estão na adega da produtora, só esperando a hora certa de irem para o mercado.
Segundo a José Maria da Fonseca, de 1884 até por volta de 1930 o Brasil era o grande destino de exportação do Moscatel de Setúbal. Chegavam aqui a cada ano até 40 mil caixas desse vinho perfumado, ideal para sobremesas. A esperança é que, com a reedição do “torna-viagem”, sua fama possa voltar a se aproximar da do primo rico, o Vinho do Porto. Se vai ser o caso, não sei. Mas que no mínimo o Moscatel de Setúbal tem uma bela história para contar para os brasileiros, isso tem.

Petit gâteau de queijo da serra da estrela – (6 porções)

Petit gâteau
200 g de queijo da serra da Estrela
150 g de cream cheese
50 g de queijo parmesão ralado
200 g de manteiga
4 ovos
4 gemas
1/2 xícara de farinha de trigo peneirada
1/2 xícara + 2 colheres (sopa) de açúcar
Manteiga para untar

Derreta os queijos e a manteiga em banho-maria, misturando bem.
Junte os ovos e as gemas e misture bem.
Por último, acrescente a farinha e o açúcar e mexa até formar uma massa homogênea.
Envolva a massa em filme plástico e deixe descansar por no mínimo 1 hora na geladeira.

Caramelo
1 xícara de vinho do Porto
1 xícara de açúcar
Raspa de 1 fava de baunilha aberta ao meio

Leve tudo ao fogo baixo e ferva por 10 minutos até o ponto de calda rala (quando começar a brilhar). Unte 6 forminhas individuais com manteiga e distribua a massa, deixando um espaço vazio.
Leve ao forno preaquecido a 220°C e asse por cerca de 10 minutos.
Desenforme e sirva acompanhado do caramelo de vinho do Porto.


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