Água

O valor da água na cozinha

 

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Atravessamos um período de redução drástica do volume de água na principal represa que serve à imensa metrópole de São Paulo. Falta de planejamento de sucessivos governos, omissão do poder público, nenhuma campanha que esclarecesse que a água é um recurso que se tornou valorizado nas sociedades mais atentas aos problemas ambientais. O planeta nunca esteve tão predatório e consumista como agora. E quem paga por isso é o mundo natural.

Pior do que a escassez da água –e a ameaça de voltarmos aos tempos das pipas e das latas d’água na cabeça— é o cinismo do governo estadual ter agendado, com toda pompa protocolar (inclusive convites oficiais), a “inauguração” da extração do “volume morto” da represa de Cantareira. Uma medida assustadora e limítrofe, mas que foi tratada pelo estado como algo extremamente positivo. Ou seja: extrair a água quase podre é um paliativo, sabemos disso. Mas o lado de lá pensa que não. E fazem fotos, sorriem e enganam a população.

Bom, enquanto atravessarmos esse problema –ainda sem prazo de solução—precisamos, por uma questão de civilidade, nos preocupar com o consumo de água na cozinha. Sabe-se que tudo na pia exige muita torneira aberta, bacias e vasilhas cheias de água, lavagens de louças e panelas etc etc etc.

Podemos continuar criativos ao preparar as refeições e ao mesmo tempo economizar água? Sim. Basta ficarmos atentos ao desperdício de torneiras abertas no máximo e, principalmente, ao modo com que higienizamos os alimentos e lavamos os utensílios das refeições. Que tal reutilizar água sem sabão e sem restos de comida para regar plantas ou gramados? Que tal utilizar guardanapo e papel-toalha para limpar pratos, terrinas, formas e panelas –antes de lavá-los? Cada cozinha é um mundo especial e cada pessoa saberá como reduzir o uso da água no seu dia a dia. Vamos fazer a nossa parte, sim. Em nome da natureza. E não para atender à tosca campanha da Sabesp.

Vale pensar ainda sobre a importância da água para o nosso corpo, a nossa vida, a nossa cidade, o nosso planeta. E lembrar que sem água não fazemos nada na cozinha. As refeições não se constituem de objetos inertes. A magia da comida vem da água.


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