Araruta

A volta triunfal da araruta

Comecei a lembrar que araruta era um ingrediente muito utilizado no Brasil. No rastro das comidas que sumiram de nossas mesas, a araruta entrou no vácuo. Antes, o rizoma (espécie de caule subterrâneo, como o inhame) dessa planta produzia um amido fino, branco e de excelente qualidade, e, especialmente, um polvilho de araruta adequado para o preparo de mingaus, biscoitos, sequilhos, bijus, bolos, tortas, doces, caldas de frutas e no engrossamento de molhos, cremes e sopas. Como um polvilho tão útil perdeu espaço em nossa cozinha?

Outra vantagem da araruta é ser um alimento muito rico em carboidratos e altamente nutritivo, além de isento de glúten, leve e de boa digestão. E descubro que existe um “retorno triunfal” da araruta, graças ao crescimento do número de pessoas que adotam uma dieta sem glúten (sem trigo, cevada, centeio e malte). E, assim, os novos cozinheiros voltaram a explorar essa maravilha da fécula. Nas faculdades de gastronomia, a araruta tem sido estudada no grupo das hortaliças não convencionais, para promover o resgate de seu uso nas receitas culinárias.

Antes tradicionais no prato da população brasileira, frutas, folhosas, leguminosas e raízes, assim como a araruta, perderam espaço pelas mudanças alimentares da população. Sumiram também por não contarem com produção comercial em grande escala e devido ao processo de urbanização que trouxe a demanda por comida industrializada. Hoje, a araruta, planta de fácil cultivo, é retomada também por institutos de pesquisas e empresas de extensão rural.

O mais curioso, entretanto, foi descobrir que o nome araruta deriva do inglês arrowroot (algo como “raiz em forma de lança”). Por essa ninguém esperava, não é? Então vamos logo para a receita: um delicioso bolo de araruta.

 

Bolo goiano de araruta

6 gemas

2 xícaras de açúcar

100 gr de manteiga em temperatura ambiente

300 gr de araruta

200 gr de coco fresco ralado fininho

1 colher de sobremesa de canela em pó

1 pitada de sal

 

Aqueça o forno a 180 graus.

Na batedeira, bata as gemas com o açúcar até virar um creme fofo e pálido.

Junte os demais ingredientes até incorporar.

Colocar em tabuleiro untado com manteiga e farinha de trigo.

Levar para assar por aproximadamente 30 a 40 minutos. Faça o teste do palito.

 


Posts Relacionados

  • Olha o CocoOlha o Coco Durante minha infância, o óleo de coco ou banha de coco era a gordura número um na culinária doméstica. Pelo menos na minha casa paterna […]
  • Chef ViviChef Vivi E salve a cozinha inteligente! Todos os meus amigos comentavam há tempos sobre um restaurante na Vila Madalena, aqui em São Paulo. […]