Copa & Cozinha: Recife

Um rolê pelos mercados do Recife

Explicar a culinária pernambucana e a cena gastronômica do Recife (que incluo entre as principais do país) significa conhecer a inventividade dos chefs locais. Sim, por que a cozinha do litoral pernambucano faz um surpreendente mix das culturas indígena, africana, portuguesa e holandesa –traços que delineiam a própria história da cidade. Do litoral, surgem ensopados, peixadas e moquecas. Do sertão, vêm as comidas da caatinga, com sabor de sol a pino e dos lajedos perdidos no tempo: carne de bode, carne de sol, carne de bode, buchada, dobradinha, sarapatel, galinha cabidela, feijão mulatinho, feijão de corda e chambaril (cozido da canela do boi, servido com pirão).

Quando você for a Recife, minha sugestão para entender uma culinária tão peculiar é visitar os incríveis mercados públicos da capital pernambucana. Ali estão os principais pontos de encontro entre vendedores e compradores, que freqüentam esses logradouros desde o século 16. O primeiro surgiu como centro de compras das comunidades pesqueiras e veio a se chamar Mercado Velho. Depois, com a ocupação holandesa (de 1630 a 1654), surgiu o Mercado Grande de Maurícia (nome que os holandeses rebatizaram o Recife).

Hoje, os principais são estes: Mercado da Boa Vista (do século 19), Mercado da Madalena (de 1925), Mercado de São José (o meu favorito, fundado em 1875), Mercado de Casa Amarela (de 1930 e Mercado da Encruzilhada (de 1950). Cada local tem sua história, seu estilo e suas delícias. Vendem tecidos, artesanatos, ração, frios, peixes, carnes, ervas, artigos religiosos, rendas, utensílios de cozinha, cachaças, sucos, pamonhas, frutas, aves, cereais e bolos, muitos bolos.

A felicidade pode estar nesses mercados. Basta sentar numa das vendinhas, pedir um café coado na hora. Depois, um suco de cajá. Para encerrar em grande estilo, coma uma fatia bem grande de bolo de rolo com queijo coalho e mel de engenho. Ou vai preferir provar cartola (banana frita com queijo-manteiga e canela)? Ou o famoso bolo Souza leão (massa de mandioca, ovos, leite de coco e calda quente de açúcar)? Ah, os mercados do Recife…

Bolo Souza Leão 

Receita:

5 e ½ xícaras de açúcar

2 xícaras de água fria

2 xícaras de manteiga

1 colher (chá) de sal

1 kg de massa de mandioca (puba)

16 gemas

3 xícaras de leite de coco

1. Untar uma forma redonda com manteiga e farinha.

2. Em uma panela, misturar o açúcar e água. Levar ao fogo médio e, mexendo sempre com uma colher de pau, deixar o açúcar se dissolver. Assim que a calda começar a ferver, parar de mexer. Tirar do fogo quando estiver em ponto de fio.

Dica: para saber se está no ponto, cuidadosamente pingue uma gota de calda em um recipiente com água e estique o caramelo com os dedos. Ele deverá formar um fio que se rompe com facilidade.

3. Juntar imediatamente a manteiga e o sal, misture bem e deixe esfriar.

4. Em uma tigela, colocar massa de mandioca e alternadamente vá juntando as gemas uma a uma e o leite de coco. Amassar bem, acrescentar a calda já fria, misturar e coar por uma peneira fina.

5. Colocar na forma, levar ao forno e assar em banho-maria por cerca de 50 minutos ou até ficar dourado. Esfriar para desenformar.

O bolo terá a consistência de pudim.


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