Salvador


Uma culinária meio divina, meio profana

Todos sabem que a culinária baiana é famosa mundialmente, devido a seus ingredientes e ao modo de preparo próximo da culinária africana. O azeite de dendê, o leite de coco e a pimenta são alguns dos itens imprescindíveis em uma receita baiana.

A lista de pratos típicos baianos é extensa. Podemos dizer que alcançaria mais de 300 receitas, no mínimo. Essa culinária traduz a cultura do povo baiano, que sempre assumiram a influência dos antepassados africanos. Mesmo que a culinária do estado da Bahia tenha outras características, Salvador é o ponto X de um roteiro gastronômico com sabor brasileiro. Como explicar a complexidade cultural que envolve a moqueca, a cocada, o acarjé, o abará, a umbuzada, o caruru, o dendê, o bolinho de estudante, o sarapatel e a lambreta? Como não ficar seduzido pelas cores da indumentária da baiana que vende seus quitutes em seu tabuleiro, vestida em seu traje tradicional, com turbante, pulseiras, balangandãs, torso e colares? Do tabuleiro da baiana saem iguarias que não se comparam a nenhum outro prato brasileiro. Dali emana a magia da cozinha ancestral, que mistura comidas sagradas com comidas profanas.

A culinária de Salvador, portanto, poderia ser comparada a um imenso tabuleiro de baiana. São cores, cheiros, aromas e receitas que só existem no universo da cultura baiana do litoral.

E não vale abrir mão da pimenta. Entregue-se à ardência da pimentinha baiana para descobrir novas saliências do paladar. No uso da pimenta (uns a preferem em abundância, outros com moderação) está, a meu ver, a chave que abre, escancara, vislumbra os mistérios quase insondáveis dessa cozinha meio divina, meio diabólica. Viva a culinária baiana praticada em Salvador, meu Senhor do Bonfim!


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